Ameaça ignorada: por que o aquecimento global ainda não é visto com seriedade?
Enviada em 23/09/2024
De acordo com Lavoisier, um dos maiores cientistas da era iluminista, nada se cria na natureza — e nada se perde, tudo se transforma. Na era contemporânea, tal ideia é levada aos seus limites, ao passo que as mãos humanas “transformam a natureza” em bens de consumo, em troca da própria saúde do planeta, mesmo com a ameaça da auto-destruição. Tal transformação, no Brasil, se deve a prioriza- ção do lucro pelos grandes proprietários de terra, bem como ao escasso e ineficaz nível das regulamentações impostas sobre os mesmos.
Durante o segundo semestre de 2024, inúmeras condições climáticas foram escalonadas pela intervenção humana, causando um desastre ambiental sem precedentes. Segundo uma matéria do G1, todas as regiões do Brasil apresentaram focos de incêndio, somando-se mais de mil em menos de alguns meses. Inúmeros outros jornais, incluindo o G1, atrelaram os incêndios à ação humana, visto a facilidade e o baixo custo do método das queimadas, utilizando-se de um simples isqueiro e uma garrafa de álcool para limpar grandes matas — tornando-se, assim, o método mais rápido e lucrativos para os grandes agropecuários.
No entanto, medidas para controlar esse tipo de prática são possíveis e são tomadas, apesar de apresentarem um nível baixíssimo de eficiência. Enquanto a própria constituição, em vigor desde 1988, define que todos tem o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e, que é dever do Estado protegê-lo, outra matéria do G1 aponta que mais de 20 mil kilômetros quadrados do pantanal foram queimados em 2020, superando em 18 os números das duas décadas passadas. Tais fatos demonstram não a incapacidade de agir, mas sim a decisão consciente de se ignorar o problema, colocando as questões climáticas em segundo plano — mesmo tratando-se de um dos mais diversos e importantes biomas do Brasil.
Portanto, visando adereçar as atuais mudanças climáticas e conter os eminentes disastres naturais, é dever do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em parceria com os governos estaduais — respaudados por mudanças na constitu-
ição realizadas pelo Poder Legislativo —, fiscalizar todos os grandes proprietários de terra com rigidez, afim de diminuir os impactos ambientas negatívos do agronegócio no ecossistema brasileiro e no clima.