Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil
Enviada em 11/09/2019
Durante os 21 anos de ditadura militar no Brasil houve inúmeros registros de desaparecimentos de pessoas em virtude da repressão do Governo para com a oposição. Sobre esse problema, embora as práticas desumanas daquela época foram minimizadas no país, atualmente, os registros de desaparecimentos ainda são bastante significativos devido à diversos entraves sociais, como discriminação e ações criminosas. Dessa forma, a intervenção do Estado com o melhoramento das políticas públicas de combate à temática faz-se necessária para a atual conjuntura.
A princípio, é válido ressaltar a importância da participação governamental para o controle de problemas sociais, como o desaparecimento de pessoas. Sob esse viés, para o filósofo John Locke o Estado tem um papel fundamental na promoção da segurança e bem estar de sua população. A esse respeito, é possível identificar a ampliação de políticas públicas de combate a essa mazela como ponto fundamental. Desse modo, ações como a integração dos órgãos de fiscalização federais, estaduais e municipais no monitoramento e investigação conjunta dos casos de desaparecimento, bem como o investimento em tecnologias ligadas a esse trabalho, como reconhecimento gráfico facial e técnicas de identificação de DNA, contribuem para a intervenção do problema. Por isso, legitima-se a necessidade da extensão de programas públicos de controle de desaparecidos.
Entretanto, ao se analisar o atual cenário do país, percebe-se uma disparidade quanto aos fatos supracitados. Nesse sentido, mesmo que a Constituição de 1988 afirme em sua regulamentação o dever do Estado na promoção da segurança pública, esse não cumpre com sua função. Isso porque a burocracia dos processos de perícia, como também a lentidão do andamento das investigações pelos setores públicos fazem com que o número de desaparecidos se torne ainda maior. Ademais, a falta de um estatuto definitivo sobre o protocolo de ação dos órgãos responsáveis contribui para o agravamento do problema. Essa situação é confirmada pelo levantamento do Ministério da Justiça que aponta um crescimento de desaparecidos nos últimos anos. Logo, fica evidente a necessidade de uma mudança nas políticas governamentais para uma maior eficiência nas soluções desses casos no país.
Destarte, é imperativo que o Governo Federal, na figura do Ministério da Justiça e Segurança Pública, reformule o programa de intervenção de desaparecimentos de pessoas no Brasil. Isso pode ser feito por meio da criação de núcleos específicos de atendimento a esses casos em vários pontos das cidades, bem como o melhoramento dos recursos de busca e investigação, como uso de tecnologias de localização e a integração dos setores de segurança estaduais e municipais, a fim de diminuir as barreiras dos processos de investigação e aumentar a eficiência na busca por desaparecidos no Brasil.