Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil

Enviada em 27/09/2019

A troca é um filme estadunidense que relata os dramas enfrentados por uma mãe na busca pelo filho desaparecido. De forma análoga, a angustia na busca por pessoas desaparecidas no Brasil é persistente, considerando-se que a cada minuto onze pessoas desaparecem no país. Nesse sentido, analisar a negligência militar e a falta de visibilidade de assunto é essencial para que tal mazela seja mitigada na sociedade.

Primeiramente, o sistema de investigação policial não está preparado para atender os casos de desaparecimento. Sob essa óptica, a desorganização do sistema e a falta de integração das delegacias do país corroboram a ineficiência das operações de busca. Desse modo, segundo dados do R7, o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidas não funciona desde janeiro de 2018. Diante dessa realidade, lamentavelmente, as poucas políticas públicas direcionadas ao desaparecimento dos indivíduos sofre com a negligência governamental.

Acresce-se a isso a ausência de visibilidade da temática sobre desaparecimento nas mídias hodiernas. Dessa forma, em uma sociedade de espetáculo descrita por Gui Debord, a falta de alteridade do homem hodierno impede que assuntos de extrema relevância, como é o caso do desaparecimento, cheguem as mídias sociais em forma de minisséries, novelas e até e mesmo reportagens. Desse modo, a ausência de conhecimento do assunto impede a formação do senso crítico dos indivíduos em como proceder diante de uma situação análoga.

Torna-se evidente, portanto, a negligência referente aos casos de desaparecidos no país. Para reverter tal cenário, a criação de delegacias próprias para desaparecimentos que sejam integradas nacionalmente é essencial. Ademais, tal integração pode utilizar das mídias sociais para divulgar a fotos das pessoas em lugares públicos como metrôs, ônibus hospitais e aeroportos através de cartazes aplicativos e televisões. Ademais, a criação de novelas e séries que abordam a temática é fundamental para aguçar o desejo pelo debate da questão dos desaparecidos. Só assim, as políticas públicas garantirão que histórias como a do filme estadunidense não seja mais a realidade no país.