Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil
Enviada em 24/09/2019
No filme “Zuzu Angel”, o desaparecimento de pessoas é abordado ao retratar a busca incessante da estilista rica e brasileira Zuzu Angel pelo seu filho, esse desaparecido durante o regime militar.Nesse contexto, pode-se atestar que o sumiço de pessoas não se atem apenas a um tipo de raça, classe social ou gênero.Entretanto embora a ditadura militar tenha sido um dos períodos históricos com maiores casos de desaparecimentos, essa estatística não diminui com o passar dos anos. Para tanto, o descaso governamental e a falta de legislação própria, são algumas das causas que urgem a necessidade de ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil.
Em primeira análise, pontua-se que embora o Governo Federal tenha criado um site - Desaparecidos do Brasil - e o Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID), esses que visam facilitar e ampliar as buscas, são voltados apenas na busca por jovens e crianças.Entretanto esse fato é contraditório a pesquisa feita pelo jornal “O Dia”, visto que nela os dados apontam que a maior parcela de desaparecidos em 2015 foi de adultos na faixa etária dentre 18 a 60 anos de idade, representando 45% da estatística.Nesse contexto, fica-se evidente o descaso governamental para com a parcela mais atingida nesse problema.
Outrossim é necessário pontuar que embora tenha havido uma iniciativa de política pública - o site “Desaparecidos do Brasil” - o país ainda carece de uma legislação própria, ou seja, não há um ministério de fato responsável pelas pessoas desaparecidas no país.Além disso o não aproveitamento das plataformas de grande alcance social, para divulgação dos desaparecidos - como televisão e das redes sociais - também demonstra o desinteresse do Estado para com esse problema.
Por conseguinte, é mister compreender a urgência da ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil.Para tanto, o Ministério da Família aliado as redes sociais e aos canais abertos, devem promover a divulgação de listas semanais de desaparecidos durante os intervalos dos programas - assim como a CCR faz em parceria com a ONG “Mães em Luta” no projeto “Estrada para Casa”, que tem funcionado desde 2008 - de forma a ampliar as buscas e integrar a sociedade ao problema.Ademais, o Poder Executivo deve estudar a criação de um ministério responsável apenas pelas pessoas desaparecidas no Brasil, além de buscar trabalhar em parceria com organizações não governamentais- como a ONG “Mães da Sé” - podendo assim dar a devida importância que essa adversidade necessita.