Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil
Enviada em 07/05/2020
A obra cinematográfica “12 Anos de Escravidão”,dirigida por Steve McQueen,retrata o desaparecimento de um pai de família negro e livre,o qual havia sido sequestrado em meados do século XIX.Contemporaneamente,as desoladoras situações destacadas na produção persistem e se agravam de modo marcante,materializadas nos altos índices de pessoas desaparecidas no Brasil.Com efeito,torna-se urgente a ampliação de políticas públicas na busca por tais cidadãos,tendo em vista a resolução de empecilhos como questões governamentais e a parca atuação midiática.
Em primeira análise,a ineficácia estatal mostra-se um fator intensificador do desaparecimento de brasileiros.A gênese dessa percepção encontra-se na priorização de pautas atreladas ao grande capital pelo Estado,o qual pouco investe em demandas menos atrativas como a problemática em questão,e assim perpetua a precariedade das investigações e da coleta de dados dos desaparecidos.Nesse sentido,o panorama se relaciona à obra de Simon Schwartzman,“Bases do Autoritarismo Brasileiro”,que aponta o fisiologismo das agendas estatais fundamentado na secundarização de reivindicações populares,como a solução de desaparecimentos.Dessa forma,a expansão de políticas públicas relativas a esses casos faz-se necessária para que famílias que procuram por seus entes queridos não tenham seus direitos fundamentais desconstruídos pelo próprio Governo.
Em segundo plano,o crescimento dos casos de habitantes desaparecidos perfaz-se como subproduto da omissão da mídia.Isso porque os meios comunicativos não dão visibilidade efetiva ao problema,visto que privilegiam assuntos que,frequentemente ligados ao sensacionalismo,conquistem maior audiência,o que produz uma sociedade desinformada quanto ao tema.Nessa perspectiva,tal entrave poderia ser solucionado a partir da filosofia do austríaco Ludwig Wittgenstein,que afirmava o poder da comunicação de ampliar os limites do mundo de um indivíduo.Entretanto,o silenciamento da mídia quanto ao drama dos desaparecimentos impossibilita a transformação proposta pelo filósofo.
Portanto,a ineficiência governamental e a passividade dos meios informacionais consubstanciam a elevação do número de pessoas desaparecidas no Brasil.Por conseguinte,o Poder Executivo Federal,em paralelo às mídias televisivas,deve investir na busca efetiva por esses sujeitos,por meio da divulgação eficiente de seus rostos durante as propagandas,as quais devem ser realizadas em horário nobre para que sejam vistas por expressiva parcela populacional,a fim de utilizar a mídia como instrumento social de difusão de assuntos de interesse público.Somente a partir disso e da contratação e treinamento de profissionais especializados,o cenário nacional se distanciará do sofrimento vivenciado em “12 Anos de Escravidão.”