Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil
Enviada em 27/09/2019
No filme infantil Enrolados, Rapunzel é uma princesa que desaparece de seu palácio ainda bebê, ao ser sequestrada por uma ambiciosa senhora, que visava usufruir dos mágicos cabelos da menina. No entanto, seus pais, mantiveram uma busca incessante por ela durante 18 anos, até enfim encontra-lá. Não obstante, transcende à arte a realidade vivenciada pela família de Rapunzel, pois, milhares de familiares de desaparecidos no Brasil travam buscas por anos e, muitas vezes, sem sucesso algum. Dessa maneira, os óbices na integração de meios de comunicação durante as buscas somados a falta de verbas para ONG´s especializadas e para a Polícia civil, favorecem que esse cenário perdure na sociedade brasileira
A priori, é importante destacar os impactos das falhas de integração dos meios de comunicação na busca por pessoas desaparecidas no Brasil. Pois, as redes sociais têm imenso alcance de usuários que podem compartilhar dados e fotos dos desaparecidos em tempo real. No entanto, esse meio é pouco explorado, o que dificulta no sucesso dos casos. Visto isso, a criação de uma rede integrada de dados, com alertas na internet, TV e rádio regionais – nos moldes americanos do projeto ‘‘Amber Alert’’, que visa encontrar crianças desaparecidas – é de suma importância para auxiliar no trabalho policial. No entanto, de maneira análoga a filósofa Hannah Arendt em seu estudo sobre a Banalidade do Mal, um fato recorrente, mesmo que desumano, passa a ser visto como natural pela banalização dos fatos, e é esse fenômeno que aflige a sociedade atual no que tange a realidade que vivencia.
Somado a isso, há também a falta de verbas para ONG’s e para a divisão especializada em pessoas desaparecidas da Polícia Civil. Nesse sentido, é inviável a ampliação de contingente e de postos de atendimento, o que acarreta na demora dos processos judiciais e, por conseguinte, no encerramento positivo dos casos – encontrar a vítima. Ademais, ONG´s como a Mães da Sé, que já solucionou quase 3 mil casos de desaparecimento, não recebem qualquer incentivo governamental para que seus projetos continuem a reconstruir famílias. Visto isso, de maneira análoga ao jornalista irlandês George Shaw: ’’ O progresso é impossível sem mudança’’, é necessário alterar essa realidade.
Logo, é mister que o Estado tome providências para atenuar tal quadro. Portanto, compete ao Executivo aplicar no Ministério da Justiça, por meio de verbas, recursos para ampliar o contingente nas delegacias, com concursos públicos e contratos anuais, a fim de otimizar o atendimento a população. Também, aplicar recursos na Polícia Civil para criar alertas nas redes sociais, rádio e TV, a fim de promover a integração dos meios de comunicação nas buscas. Por fim, destinar verbas a ONG’s para campanhas e palestras, visando a inserção da sociedade nessa realidade ainda banalizada, mas real.