Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil
Enviada em 24/10/2019
A primeira temporada de “Stranger things”, em meio a temas fantasiosos como monstros e superpoderes, trata de um assunto bem real: o desaparecimento de uma pessoa. Diariamente, milhares de pessoas passam por situações parecidas em suas famílias e tem que lidar com a incerteza do que pode ter ocorrido. Nesse contexto, a negligência com indivíduos com doenças mentais e a ineficiência governamental faz a situação ficar ainda pior.
Sem dúvida uma das principais causas de desaparecimentos no Brasil é o descaso por parte da família com indivíduos com transtornos mentais. Similarmente ao que ocorre com crianças, pessoas que possuem doenças mentais graves como esquizofrenia e Alzheimer necessitam de cuidados especiais por parte de suas famílias pois, se isso não acontecer, elas podem acabar fugindo de casa, ficando desaparecidas, sem seus remédios e totalmente vulneráveis a terceiros mal-intencionados e acidentes que podem colocar sua vida em risco.
Além disso, a incompetência das autoridades públicas na busca pelos perdidos faz a esperança das famílias sumir com o passar do tempo. Segundo Jean-Jacques Rousseau, por meio do Contrato Social, acordo estabelecido entre os homens, o Estado deve garantir a liberdade dos homens e o bem comum da sociedade. Entretanto, após o desaparecimento de alguém, o Estado que deveria, por meio da polícia, conseguir encontrar as pessoas acaba não cumprindo seu papel graças ao sistema falho de buscas, que, por sua vez, não possui uma integração entre instituições como cemitérios, hospitais e albergues, locais em que os desaparecidos poderiam acabar aparecendo.
Com o propósito de prevenir o descuido familiar de cidadãos com problemas psicológicos graves, o Ministério da Saúde deve criar um programa de assistência continua para fazer uma acompanhamento familiar e individual dessas pessoas, na qual um(a) agente da saúde iria todos os dias à casa da família para verificar a situação do doente. Ademais, a fim de aumentar a eficiência nas buscas por desaparecidos, o Ministério da Tecnologia deve criar um software que permita um cadastro mais rápido dos perdidos e que seja integrado a outras instituições que podem agilizar na procura. Fazendo isso, o Estado vai cumprir seu papel social.