Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil
Enviada em 27/10/2019
Em “Stranger Things”, série da Netflix, Barbara, uma adolescente estudiosa e responsável, desaparece misteriosamente, sem deixar nenhum rastro. Ao longo da trama, frustados com a lentidão e desleixo da investigação realizada pela polícia de Hawkings, os pais da menina contratam um detetive particular na esperança de encontrarem sua filha. Analogamente, mesmo que o sumiço da jovem tenha sido por causas sobrenaturais, ele expõe um problema presente na conjuntura brasileira: por conta da ineficácia das políticas públicas vigentes, existe uma tendência dos casos de desaparecimentos permanecerem não solucionados.
Primordialmente, convém investigar a natureza da ineficiência dos programas de busca por esses indivíduos. Consoante a isso, visando uma maior apuração de dados, o Estado criou um sistema online de cadastro de desaparecidos, porém sua eficiência é comprometida pelo fato de ele não ser atualizado com frequência e dos registros poderem ser feitos por qualquer pessoa, possibilitando a realização de falsos cadastros. Paralelamente, isso causa um desequilíbrio na sociedade e, portanto, configura-se como uma violação da moral de Immanuel Kant, o qual afirma que o princípio da ética é agir de forma que ela possa se tornar uma prática universal. Assim, essa falta de cooperação da população compromete o funcionamento do serviço e, consequentemente, prejudica a localização dos cidadãos.
Outrossim, é evidente como a comoção social é vital para aproximar, cada vez mais, o impasse de suas soluções efetivas. Conforme apontando por Isaac Newton, um corpo tende a permanecer em seu estado natural, ao menos que alguma força atue sobre ele. Nesse sentido, com o intuito de modificar o quadro atual, durante a exibição do filme “Procurando Dory”, em que a protagonista, um peixe com perda de memória recente, tenta encontrar seus pais, foi veiculada a campanha “Procurando nossos filhos”. Sob tal ótica, o projeto criado pela “Mães da Sé”, uma Organização Não Governamental (ONG), visava, ao mostrar as dificuldades e angústias enfrentadas pelas famílias que procuram incansavelmente pelos seus entes queridos, mobilizar o público a se envolver na causa.
Em virtude do que foi mencionado, evidencia-se a necessidade de intervenções imediatas para reverter esse cenário. Sendo assim, para diminuir o número de desaparecimentos não solucionados no país, cabe aos ministros da cidadania, aliados de ONGs como as Mães da Sé, promoverem, por meio de verbas governamentais, ações de Merchandising Social acerca do assunto em obras artísticas, tais como séries, filmes e novelas, chamando atenção para a questão e incentivando os espectadores a contribuírem na procura das vítimas. Somente assim, será possível combater a entrave e assegurar que, diferente do caso de Barbara, todos os casos de pessoas desaparecidas passem a ser resolvidos.