Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil
Enviada em 26/10/2019
O Sismo de Tangshan de 1976 foi um acontecimento que marcou a história da China contemporânea, tendo em vista a quantidade de desaparecidos que o abalo gerou e a ineficiência do Estado para mobilizar-se em relação ao caso. De maneira análoga, é visível a negligência do Estado brasileiro em relação às políticas públicas acerca do processo de busca por indivíduos desaparecidos. Tal negligência se configura, tanto na falta de políticas de apoio psicológico aos familiares das vítimas, quanto na ineficiência do uso de recursos tecnológicos que promovam uma busca mais efetiva.
A priori, é necessário apontar que as famílias dos desaparecidos necessitam de apoio psicológico e nem sempre o tem. Tal ausência de apoio amplia o conceito de violência simbólica definido pelo sociólogo Pierre Bourdieu: o descaso do Estado brasileiro com as famílias gera danos morais e psicológicos a esses indivíduos. Nesse sentido, a falta de políticas públicas gera mais vítimas e dificulta o processo de busca, haja vista que, caso a família tivesse o apoio necessário, ela não seria tão afetada e também poderia auxiliar nas buscas.
Outrossim, vale destacar que os recursos tecnológicos são essenciais para auxiliar nas buscas por pessoas desaparecidas. Tal fato se evidencia, por exemplo, ao analisar a utilização desses recursos na China, a qual têm integrado sistemas de inteligência artificial às câmeras de segurança em locais públicos. Segundo o jornal Globo, por meio desse sistema, o governo chinês é capaz de solucionar cerca de 96% dos casos de desaparecimento. Tendo em vista tal eficiência, a tecnologia pode e deve ser utilizada como um meio para auxiliar nos processos de busca por desaparecidos em território brasileiro.
Depreende-se, portanto, a necessidade de solucionar a negligência do Estado e desenvolver e ampliar políticas públicas capazes de reverter tal cenário caótico. Para tanto, cabe ao Governo Federal, em parceria com empresas de tecnologia, desenvolver e aplicar sistemas de busca similares aos desenvolvidos pelos chineses, de modo a utilizar recursos tecnológicos de ponta capazes de reconhecer o rosto dos desaparecidos em locais públicos e agilizar o processo de busca. Ademais, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos fornecer acompanhamento psicológico de qualidade à família das vítimas, a fim de amenizar a angústia criada pela situação e construir um ambiente em que os familiares consigam colaborar para com os processos investigativos. Quiçá, assim, será possível, além de auxiliar os familiares das vítimas, encontrar, de maneira rápida e efetiva, os indivíduos desaparecidos.