Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil

Enviada em 26/10/2019

Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma realidade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização do plano de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do descaso governamental, quanto ta omissão da população. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da nação.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que o desaparecimento de pessoas no Brasil é um assunto pouco discutido, uma vez que o Estado não só omite dados sobre essa problemática, como também não apresenta ações sociais para impedir o crescimento dessa situação dramática. Nessa perspectiva, é preciso compreender que isso é consequência de um governo que se preocupa apenas com a elevação da economia brasileira, não promovendo medidas que garanta o direito à vida de cada cidadão. Desse modo, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 82 mil pessoas são registradas como desaparecidas todos os anos. Diante de tal contexto, apesar de o Brasil ser dito ‘‘país de todos’’, definitivamente não é, já que a busca por esses indivíduos desaparecidos são insuficientes, o que causa um trauma irreparável a família que sofre com essa realidade, visto que lidam não só com a dúvida em relação ao que aconteceu com seu familiar, como também com o descaso estatal.

Além disso, a omissão da população é também impulsionadora do problema. Sendo assim, segundo o sociólogo Richard Sennet, o capitalismo promoveu a valorização do indivíduo, o que fez com que o individualismo fosse posto acima da coletividade. Diante do exposto, a análise do autor encaixa perfeitamente para explicar a não preocupação da sociedade em relação as pessoas desaparecidas, uma vez que o bem estar do outro não é visto como prioridade. Nesse sentido, essa realidade faz com que a ampliação de políticas públicas parente aos desaparecidos, não apresente tanto o apoio popular, quanto estatal.

É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para mudar esse cenário grave. O Ministério da Justiça deve promover buscas efetivas em relação aos desaparecidos, por meio da maior fiscalização do processo e do aumento de delegacias especializadas nesse assunto, com o objetivo de diminuir o número de casos sem solução, e, assim, garantir o direito de cidadão que todos possuem. Assim sendo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da falta de desempenho na busca de desaparecidos, e a coletividade alcançará a Utopia de More.