Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil
Enviada em 27/10/2019
O filme 3096 dias de Cativeiro, baseado em fatos reais, retrata a história da alemã Natacsha Kampusch vítima de um sequestro aos 10 anos quando estava a caminho da escola e fica desparecida por oito anos, sendo mantida em cativeiro e sofrendo abusos físicos e psicológicos. Mesmo o filme retratando a história de um lugar tão distante, esse problema já faz parte da realidade de muitos brasileiros. Os índices de desparecimentos no Brasil não param de crescer já atingindo a quantidade de 200 mil pessoas desaparecidas por ano, consequência direta do descaso do governo para que haja uma melhoria das políticas públicas preventivas dessa adversidade.
Em primeiro lugar, pode ser citada a péssima logística de denúncias e registros desses casos no país. A coordenadora do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID), Eliana Vendramini, diz que o principal estorvo está na omissão do estado e na falta de integração e diálogo entre os órgãos envolvidos com essa temática no Brasil pois a falta de um cruzamento e compartilhamento de dados vem aumentando o número de sumiços sem conclusões e o número de pessoas que chegam em hospitais e asilos e os corpos que aparecem sem identificação no IML (Instituto Médico Legal) que podem estar relacionadas diretamente com esses desaparecimentos.
Outro fator importante que dificulta essa situação no país é a maneira que vem sendo investigados esses sumiços. Na teoria, os sumiços de cidadãos de até 18 anos ou com transtorno mental logo começam a ser investigados quando são feitas as denúncias porém segundo Eliana apenas os sumiços de crianças com até 12 anos vem sendo investigados no país. Ela diz também que o mito de que deve esperar 48 horas após o desaparecimento também vem atrapalhando o trabalho dos investigadores pois muitos esperam para delatar o caso, no entanto quanto mais rápido se faz a denúncia mais fácil se torna a investigação.
Portanto, diante dos fatos supracitados é necessário que medidas sejam tomadas para solucionar tais problemas. Para que se torne mais fácil o compartilhamento de dados e informações urge que a Superintendência da Polícia Técnico-Científica crie um banco de dados em que todas as organizações envolvidas em casos parecidos, como o IML ou a Delegacia de Pessoas Desaparecidas possam ter acesso e inserir novidades. Outra solução fundamental para instruir os cidadãos em uma situação de desaparecimento é a criação de campanhas pela Secretária de Segurança Pública ensinando a quem se deve recorrer e quando a denúncia deve ser feita para que torne mais fácil e direto o trabalho de policias e investigadores. Somente assim esse problema tão recorrente no Brasil se tornaria mais ameno e diminuiria o risco de alguma criança se tornar uma Natascha Kampusch.