Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil

Enviada em 29/10/2019

Na segunda metade do século XX, no contexto da Ditadura Militar, os casos de desaparecimento de pessoas cresciam exponencialmente. Hodiernamente, observa-se a persistência, ainda que em menor grau, dessa problemática. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 82 mil pessoas desapareceram em 2018, mesmo com a ampliação de políticas públicas neste setor. Urge, portanto, a necessidade de analisar como a inobservância governamental e a carência de divulgação corroboram com tal cenário.

A priori, destaca-se a responsabilidade social do Estado. Segundo o teórico contratualista John Locke, “o Estado é gestor dos interesses coletivos”. Assim, de certa forma, o Brasil tem avançado nessa perspectiva, haja vista a outorgação da lei que implementa o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas. Entretanto, a falta de investimentos no programa dificulta a integração dos órgãos competentes e resulta na lentidão do processo de busca de pessoas. Em suma, é importante que haja dinamização da rede de informações.

Outrossim, é impreterioso ressaltar os avanços que podem ser alcançados através da mídia. Neste caso, é válido observar o sucesso de outros países com a utilização dessas tecnologias, como é o caso dos Estados Unidos onde o Alerta Amber, usado em emergências de rapto de crianças, tem tido grande êxito. O alerta é disparado por veículos midiáticos e tem grande alcance e mobilização na sociedade que, por sua vez, se engaja na causa. Assim é de substancial importância que o Cadastro Nacional de Desaparecidos seja amplamente divulgado.

Destarte, é imprescindível a promoção de medidas que ampliem o sucesso das políticas públicas já implementadas. Logo, o Governo, em parceria com universidades públicas, deverá aprimorar o banco de dados de pessoas desaparecidas a fim de integrar esta rede de informações e dinamizar a atuação de órgãos responsáveis. Ademais, o Governo, em parceria com empresas midiáticas, deverá oferecer incentivos fiscais em troca da veiculação de propagandas de divulgação do Cadastro Nacional a fim de garantir um maior alcance da imagem de pessoas desaparecidas. Dessa forma, espera-se que a realidade vivida na Ditadura não se repita, e as políticas públicas sejam bem sucedidas.