Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil

Enviada em 28/10/2019

A série “Pretty Little Liars” retrata o misterioso desaparecimento da jovem Allison DiLaurentis durante uma festa com suas amigas. Paralelamente, no Brasil hodierno casos de sumiço como o retratado no programa televisivo são recorrentes. Isto posto, nota-se a urgente necessidade de uma ampliação nas políticas públicas de busca de pessoas desaparecidas bem como a compreensão da relação de questões como a hipermodernidade e a ineficiência das leis à problemática no país.

A priori, o filósofo francês Gilles Lipovetsky descreve o mundo hipermoderno como um mundo desorientado, inseguro, desestabilizado de maneira estrutural e crônica. Tomando como norte esse pensamento, o desaparecimento de brasileiros pode ser compreendido como um fenômeno decorrente da instabilidade da condição humana pós-moderna. Assim, muitas pessoas desaparecem voluntariamente por não se sentirem inseridas e seguras em seus lares e ambientes de convívio, prova disso são os dados reportados pela Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), de que a rejeição da opção sexual por parte das pessoas em seu ciclo social é uma das principais causas da fuga de jovens.

A posteriori, a legislação vigente no país se mostra falha, haja vista que, ela não impõe a integração entre os bancos de dados governamentais que abarcam as informações de indivíduos com paradeiro desconhecido, o que deixa o processo mais lento e custoso. Por conseguinte, grande parte do tempo crucial para localizar o desvanecido é perdido, o que torna o rastreio de cidadãos mais difícil e, assim, aumenta-se o número de casos não solucionados que são arquivados e, posteriormente, esquecidos pelo Poder Público. Logo, é vital que ocorram melhorias com intuito de e acelerar e facilitar o processo de resolução desses casos.

Urge, portanto, que medidas sejam adotadas com vista a ampliar as políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil. Desse modo, a escola, lugar onde se formam as bases do convívio social, deve em parceria com as famílias, de grande influência na vida do cidadão, promover o diálogo com os jovens com objetivo de que eles exponham as suas incertezas, medos e inseguranças, a fim de que a juventude se sinta mais segura e incluída no seu meio de convívio e menos inclinada a fugir de seus lares. Outrossim, ao Estado, cuja função consiste no serviço à população, cabe por intermédio do Poder Legislativo, criar leis que obriguem a unificação dos bancos de dados que compilam informações de pessoas sumidas e imponham que a mídia, com suas ferramentas de alcance, deve exibir dados de desaparecidos - fotos, nome e telefones para contato - em seus comerciais com intuito de agilizar a resolução dos casos. Somente assim, casos como o de DiLaurentis não serão recorrentes no país.