Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil
Enviada em 28/10/2019
Segurança digital
O filme “Buscando” retrata a busca de um pai pela sua filha desaparecida. Apesar de muitos filmes terem essa temática, a obra em questão se destaca por se passar inteiramente em telas de celular e de computadores. Portanto, o longa-metragem retrata uma situação que afeta o Brasil e o mundo: a relação entre o uso de tecnologia e o alto número de pessoas desaparecidas. Logo, é necessário analisar quais são os fatores que favorecem o desaparecimento e de que maneira se deve combatê-lo.
Nesse contexto, devem-se considerar as mudanças que a tecnologia causa nas relações interpessoais. De acordo com Zygmunt Bauman, em seu livro “Modernidade Líquida”, com a ascensão tecnológica tornou-se muito mais fácil se relacionar com outros pessoas, no entanto, tais interações são caracterizadas por ser efêmeras e podem ser muito perigosas. Para ilustrar, o aplicativo Tinder possibilita que os indivíduos se conheçam, apenas virtualmente, e marquem encontros de maneira rápida e instantânea. Assim, muitos sequestradores se aproveitam dessa facilidade para cometer crimes, o que aumenta o número de pessoas desaparecidas.
Outrossim, os riscos da internet são absurdamente ignorados pelos pais. Segundo o especialista em segurança digital Ernie Allen, muitas pessoas permitem que seus filhos utilizem livremente aparelhos celulares e computadores sem adotar medidas de proteção. Desse modo, a ação de criminosos é facilitada, porque se torna mais simples obter informações que podem levar ao sequestro de pessoas. Para ilustrar, dados do FEM (Fórum Econômico Mundial) indicam que mais da metade das crianças entre 8 e 12 anos de idade estão expostas a ameaças digitais.
Destarte, é necessário que o Estado aja em duas frentes. Por um lado, o Ministério da Educação deve realizar, em todas as escolas públicas brasileiras, palestras e debates com especialistas em segurança digital sobre como se proteger dos perigos da internet e das relações fluidas atuais, de modo a tornar os jovens mais conscientes e cuidadosos. Por outro lado, o Ministério da Comunicação deve criar uma parceria com a ONG Safernet, a qual é pioneira no combate ao crime cibernético no Brasil, e difundir ferramentas que proporcionem uma navegação mais segura, como filtros de conteúdo maliciosos, por meio de uma ampla divulgação de propagandas nas redes sociais, com o intuito de evitar que famílias passem pelos momentos de desespero que são retratados no filme “Buscando”.