Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil

Enviada em 31/10/2019

A série de ficção científica “Stranger Things”, traz à tona o sumiço misterioso de um garoto e a maneira pela qual seus familiares e amigos se mobilizam na busca por seu paradeiro. Apesar de ficcional, a narrativa evoca, um drama vivenciado por muitas famílias brasileiras e a pulsante esperança de reverem parentes e amigos desaparecidos. Faz-se indispensável, portanto, ponderar sobre a urgência de um banco nacional de dados e a importante atuação da sociedade frente à questão.

Pode-se evidenciar uma verdadeira negligencia no que diz respeito a priorização dos casos de pessoas desaparecidas. Sobre esse prisma, a assertiva do sociólogo Zygmunt Bauman revela-se bastante apropriada, pois o Estado ao tornar-se uma “Instituição Zumbi” mantém sua forma, mas falha na concretização dos chamados direitos sociais de segunda geração. Isto é, a falta de um trabalho psicossocial interligado às demais esferas sociais e a débil comunicação entre os órgãos de segurança, evidencia a emergência de políticas públicas voltadas à redução da problemática.

Outrossim, essa invisibilidade social configura um desafio persistente. Nesse sentido, em seu livro “Ensaio sobre a cegueira”, José Saramago descreve a história de uma sociedade acometida por uma cegueira moral. A saber, o autor traz à tona um lúcido diagnóstico sobre a insensibilidade e indiferença existente na pós-modernidade. Evidencia-se, então, uma perspectiva dissecada pelo filósofo Byong-chu Han, haja vista a atomização da sociedade, esse fenômeno multicausal ganha pouca notoriedade no cotidiano das pessoas e dos meios midiáticos.

À luz dessas considerações, urge investir no cruzamento de informações e na promoção do autoatendimento pelos corpos sociais. Ao Ministério da Justiça em parceria com empresas de tecnologia, compete a criação de um aplicativo nacional de dados biométricos, objetivando articular as autoridades de segurança e dá digna nitidez aos desaparecimentos. Cabe ainda às prefeituras locais galvanizar a comunidade em uma rede de apoio aos familiares, mediante alertas via rádio,TV e dispositivos móveis.