Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil
Enviada em 01/11/2019
Segundo o sociólogo Émile Durkheim, as rápidas transformações da sociedade promovem o enfraquecimento dos vínculos sociais. Dessa forma, o corpo social adoece e atinge o estado de anomia, no qual as patologias sociais são originadas. De maneira análoga, e como produto desse processo, emerge a falta de políticas públicas para resolver a questão das pessoas desaparecidas no Brasil, condição que afeta negativamente o resultado das buscas. Nesse contexto, não só o banco de dados desatualizados e sem visibilidade, mas também a falta de ações efetivas por parte do governo são responsáveis pela persistência e sustentação dessa realidade no país.
Em primeiro plano, é importante evidenciar que as informações obsoletas e a pouca visibilidade dos sítios eletrônicos governamentais são danosas às buscas por pessoas desaparecidas. Nesse cenário, o acesso a elementos cruciais, como fotos e documentos, é comprometido. Assim, os cidadãos não têm conhecimento desses recursos e ficam sem colaborar para a apuração dos fatos. Desse modo, o Conselho Federal de Medicina (CFM) tem cobrado intensamente das autoridades competentes, a atualização constante do sistema, visto que é essencial para a eficiência das buscas e redução do número de pessoas desaparecidas.
Por outro lado, a inércia do poder público fortalece a perpetuação dessa intempérie, na medida em que não é dada a devida atenção a um assunto de extrema importância como esse. Por esse ângulo, faltam diálogo entre as polícias estaduais e estruturas especializadas no caso. Nessa perspectiva, o andamento das investigações é prejudicado e os números de casos ampliados. Em vista disso, o livro “Cadê Você” de Dijaci de Oliveira e Elen Cristina, mostra, mediante uma pesquisa nacional, que os desaparecimentos estão fora do alcance das políticas públicas.
Infere-se, portanto, que a ausência de divulgação e atualização dos sistemas públicos, como a letargia do governo são prejudiciais ao tecido social brasileiro. Nesse sentido, a fim de mitigar essas adversidades, a princípio, os governos estaduais devem proporcionar a atualização dos ambientes digitais e disseminar a sua existência. Além disso, é essencial que os estados promovam a articulação das polícias e construam organismos especiais para combater a problemática, como o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), da Polícia Civil do Paraná, que tem uma taxa altíssima de resolução desses problemas. Espera-se, com isso, aumentar os números de casos solucionados e reduzir gradualmente o número de cidadãos desaparecidos, com o propósito de refinar as políticas estatais de combate aos desaparecidos. Somente assim, com a aplicação dessas ideias, será possível, por conseguinte, curar o adoecido “corpo durkheimiano”.