Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil

Enviada em 01/11/2019

No filme “12 anos de escravidão”, discorre a história de Solomon, um negro livre, que aceita um trabalho em outra cidade e é sequestrado, a família entra em desespero com o sumiço, mas o governo não toma medidas para achar Solomon -pois o homem não tinha “importância” perante a sociedade. Fora da ficção, o cenário brasileiro encontra-se em uma realidade semelhante a do filme. Tendo em vista que, a parcial ausência de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas, acarreta efeitos negativos no âmbito social, logo, o capitalismo e a desigualdade social, são fatores que contribuem para que tal situação ocorra. Dessa forma, gera-se prejuízos no meio social.

É notório que, o capitalismo é um dos causadores da temática. Segundo a teoria de Zygmunt Bauman: Modernidade Líquida, a sociedade contemporânea tem como principais características, a falta de empatia e o individualismo. Analogamente, as relações sociais estão cada vez mais fragilizadas, pois, o meio industrial visa somente; a produção e a lucratividade e automaticamente, as pessoas também seguem essa mesma linha de pensamento, ou seja, se alguém desaparece -e esse indivíduo não possuir bens materiais de valor- os órgãos responsáveis pela segurança do cidadão não se movem o suficiente para procurá-lo. Consequentemente, essa atitude traz frustrações para a família brasileira.

Ademais, a desigualdade social também contribui para a problemática. De acordo com o sociólogo Karl Marx,  o indivíduo pode fazer suas escolhas, mas as condições sociais são influenciadas pelas condições econômicas. Em paralelo, quando acontece o desaparecimento de uma pessoa de “boas condições”, o governo juntamente com a mídia, alertam toda a sociedade em busca desse indivíduo, estabelecendo recompensas absurdas pela sua segurança, mas quando a mesma situação acontece com uma pessoa “pobre”, as únicas pessoas que se movem para procurar; é a família. Nesse contexto, uma matéria publicada em 2017, pelo portal “G1”, mostra que, 62% da procura sem sucesso dos desaparecidos no Brasil, são de classe baixa. Diante disso, percebe-se a gravidade do caso.

Em suma, é mister que o Estado tome providências para atenuar o quadro atual. Para consolidar uma sociedade mais igualitária e consciente, cabe ao Ministério Público, elaborar, por meio de verbas governamentais, a ampliação das políticas públicas que  visem o engajamento de toda a massa populacional nas ordens jurídicas, sugerindo ao interlocutor, a valorização e o respeito de toda a sociedade. Além disso, campanhas publicitárias que mostrem ao telespectador, os efeitos negativos que a desigualdade social traz para a comunidade, que detalhem a importância que o ser humano possui, adiante, que não é condição financeira que define uma pessoa. Somente assim, pode-se evitar o mesmo que aconteceu no filme “12 anos de escravidão”, e será efetivada uma nação mais justa.