Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil
Enviada em 28/02/2020
Uma das várias temáticas trabalhadas na série Dark é a questão do desaparecimento de jovens e seu impacto no contexto social de uma cidade alemã em que ocorrem os acontecimentos. Nota-se que, em virtude da falta de respostas por parte das autoridades de busca, as famílias passam por momentos de profundos desgastes psicológicos e a apresentarem sinais de depressão. Similarmente, no contexto contemporâneo brasileiro, a questão dos desaparecidos é observada como uma lamentável e grave situação negligenciada por parte dos governantes e que provoca o aparecimento de doenças metais nos familiares das vítimas.
Antes de tudo, convém ressaltar que a ausência de uma política pública federal que busque minimizar o desaparecimento de pessoas contribui para a perpetuação dessa cruel questão nacional. A esse respeito, dados dos últimos vinte anos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública sugerem que oito pessoas desaparecem por hora no Brasil. Ainda assim, é notório que o país em questão não possui um plano federal para conter o impasse. Portanto, a postura pacífica e leniente por parte de alguns políticos para com a questão da busca por desaparecidos se apresenta como um preocupante agravamento desse empecilho social. Contudo, pode-se retirar uma conclusão otimista ao avaliar os resultados da delegacia especializada na busca por desaparecidos do Paraná (Sicride), a qual acarretou numa redução de cerca de 90% dos desaparecidos não encontrados do Estado.
Outrossim, é necessário salientar que o aparecimento das doenças psicológicas em familiares dos desaparecidos, em especial nas mães, é um fenômeno bastante provável. Acerca dessa premissa, estudos realizados pelo psicanalista Sigmund Freud mostram que desânimo, insônia e redução de apetite são respostas comuns das mães que passam pelo sentimento de luto. Ademais, há uma culpabilização interna, quase sempre não fundamentada, por parte das mesmas matriarcas. Logo, torna-se nítido o impacto negativo provocado pela falta de planejamento no investimento de recursos públicos para a solução desse atraso social.
Em suma, cabe ao Congresso Nacional, por intermédio da aprovação de um projeto de lei, incentivar os Estados da União à criação de redes de delegacias semelhantes a que opera no Paraná. Tais delegacias deverão, além de possuírem equipes especializadas em busca, sistematizar as informações de desaparecidos do Estado, via utilização tecnológica apropriada. Além disso, cabem aos postos de Saúde prestar atendimento psicológico aos familiares que carecerem de tal ajuda. Espera-se, assim, minimizar o número desses casos no país ao ponto do ocorrido se tornar um fenômeno mais típico de séries e distante do mundo real.