Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil

Enviada em 07/03/2020

‘‘No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho". Nesse verso do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, publicado na Revista Antropofagia em 1928, é retratada as dificuldades que impedem os indivíduos de progredirem em seus avanços individuais e coletivos. Nessa perspectiva, a questão da busca por pessoas desaparecidas no Brasil é um problema a ser resolvido, visto que as políticas públicas existentes carecem de ampliação e efetividade, pois ainda existe um cenário com poucos meios a se recorrer.

Antes de mais nada, os poucos recursos destinados à procura por pessoas desaparecidas torna mais difícil a ampliação de mecanismos que assegurem o objetivo de diminuir os índices desse fenômeno no país. Nesse sentido, é encontrado como barreira o pouco estudo acerca do assunto, elemento principal para se entender os motivos disso ocorrer, e o interesse dos estados em definir dados e pesquisas que relacionem os casos com características como idade, sexo, escolaridade e moradia em áreas de risco, por exemplo. Dessa maneira, esse fato impede que existam investigações mais completas, eficientes e direcionadas.

Além disso, as poucas entidades especializadas nesse tecido são sobrecarregadas a medida que não existe a distribuição dos casos e a instauração de métodos de investigação, o que torna escassa a efetividade quanto a esse problema. Nesse viés, o acúmulo de situações desfavoráveis acomete não somente aos desaparecidos, submetidos aos mais variados tipos de violência e vulnerabilidade, mas também as famílias, que vivem uma busca incessante e com poucos meios a se recorrer, o que pode gerar distúrbios psíquicos, como a depressão e a ansiedade, além de um desamparo por parte do Governo.

Dessarte, como para o Filósofo francês Auguste Comte na sua doutrina positivista, as maiores revoluções ocorridas na história da humanidade, se deram pelo uso do conhecimento. Desse modo, faz-se necessário que o Governo Federal, levante dados por meio de pesquisas entorno dos casos e efetue estudos que possibilitem traçar políticas que diminuam a ocorrência desse evento, como o aumento de policiamento em áreas que sejam comum o tráfico de pessoas, e utilize métodos mais sofisticados para o reconhecimento desses indivíduos, por intermédio de um sistema de biometria nacional, que indique o estado e cidade a que essa pessoa pertencem, ainda assim, as famílias devem ser acompanhadas por psicólogos e avaliadas constantemente. Somete assim retiraremos mais uma pedra do caminho.