Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil
Enviada em 01/04/2020
No filme estadunidense “Buscando”, o personagem David Kim lida, de forma dramática, com o desaparecimento de sua filha, Margot, sob esta ótica, o longa retrata uma busca repleta de desafios, intencionados em virtude da falta de contribuição do Governo local e da indisponibilidade da sociedade em ajudá-lo. Não obstante, no Brasil, tal realidade é vivenciada por milhares de famílias que procuram seus parentes, mesmo em meio as limitações do sistema de busca nacional. Nesse sentido, consequências deletérias de tal problemática, como por exemplo a depressão, podem ser evitadas, caso haja, uma ampliação das politicas públicas de busca por desaparecidos, medida essa que prioriza, sobretudo, a dignidade humana, bem como a integridade psicológica dos familiares. Logo, são de suma importância ações tanto de cunho governamental, quanto social capazes de garantir esse benefício.
Em primeira análise, para o filósofo, Emmanuel Kant, “Cada coisa tem o seu valor; ser humano, porém, tem dignidade”, esse pensamento reitera a valia de cada cidadão, mesmo que esse encontre-se ausente. De forma análoga, um maior empenho público no melhoramento da rede de cadastros de desaparecidos, culminará em uma busca adequada, na qual a prioridade é resguardar a dignidade do procurado, bem como seus direitos individuais e de seus parentes. Entretanto, os indicadores sociais alertam para outra perspectiva, sendo essa, marcada pela negligência e pela falta de incentivo ás redes de busca e, por conseguinte, um aumento abrupto no numero de desaparecidos. Desse modo, é indispensável um maior compromisso dos governantes com a causa, a fim de solucioná-la.
Em segunda análise, a empatia social é fundamental na procura pelos desaparecidos, haja vista que somente com o empenho população é possível reduzir o contingente de casos sem respostas. De acordo com o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no estado de São Paulo, a cada uma hora, 8 pessoas desaparecem. Nesse âmbito, uma mobilização da sociedade contribui não somente para encontrá-los, mas também com a saúde psíquica da família, visto que, quando tem-se o apoio apropriado as sequelas, da ausência e da procura, são menores. Todavia, é pouca a contribuição e a participação civil nesse processo, em razão do individualismo e da indisposição desses em ajudar. Dessa forma, é fulcral o incentivo e a conscientização do papel de todos na busca por desaparecidos.
Portanto, ampliar as políticas de buscas por pessoas desaparecidas é um dever do Estado perante a necessidade social. Cabendo, então, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, investir, por meio do remanejamento de verbas destinadas as delegacias, na publicidade e na tecnologia utilizada no cadastro de desaparecidos - possibilitando mais agilidade e segurança ao sistema - com o fito de reduzir a quantidade de desaparecimentos sem resposta e gerar maior engajamento da população.