Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil

Enviada em 21/04/2020

Na novela “Amor de mãe”, produzida e veiculada pela Rede Globo, é contado o drama da personagem Lurdes, uma empregada doméstica que busca, há 25 anos, seu filho desaparecido, vendido por seu pai ainda criança. Entretanto, tal investigação só é potencializada quando Lurdes encontra uma quantia de dinheiro na praia, a qual usa para contratar um detetive particular, uma vez que já não via mais eficiência nas medidas policiais. Fora das telas, casos como esses revelam a fragilidade das políticas públicas na busca por desaparecidos, que demandam ampliação.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada hora desaparecem 8 pessoas no Brasil, contingente que abrange, geralmente, idosos, crianças e adolescentes, que ficam desaparecidos por motivos biológicos, como a atuação de doenças como o Alzheimer em indivíduos mais longevos, que saem de casa e nunca mais voltam, até os mais perversos,como sequestros. Diante de tamanha gravidade,ainda se cultiva, no entanto, uma cultura policial de não priorizar a busca por desaparecidos por não ter comprovação de crime, assolando a vidas das famílias.

Acrescido ao descaso governamental, soma-se o fato de que os familiares, além de sofrerem com a ausência de um ente querido, se veem, muitas vezes, na obrigação de assumir um papel dos desaparecidos, como prover o sustento da casa ou compensar a falta de um parente próximo. Assim, embora tenha se observado avanços, como a criação do  cadastro de pessoas desaparecidas pelo Estado, muito ainda tem que ser feito de tal maneira a oferecer um respaldo mais eficientes às famílias desamparadas.

Portanto, cabe ao Governo, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, criar delegacias especiais para desaparecidos, com a finalidade de direcionar os esforços para a busca, bem como para atualizar os dados de desparecidos em nível nacional, agilizando o processo. Por fim, o  ministério da Educação deve ampliar a divulgação de fotos dos desconhecidos através da criação de um perfil oficial nas redes sociais, evitando que investigações demoradas como a de Lurdes  se repitam.