Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil
Enviada em 24/05/2020
A animação “Procurando Dory” retrata a jornada de uma peixinha esquecida que se perdeu de seus pais quando criança e depois de anos tenta reencontrá-los. Apesar de se tratar de uma história ficcional, a vulnerabilidade da personagem e o sofrimento dos pais com a falta de informações sobre seu paradeiro vão ao encontro da realidade de muitos brasileiros. Nesse aspecto, o desaparecimento de pessoas se agrava pela ineficácia de políticas públicas de prevenção, que investiguem as causas principais do problema, e de resolução dos casos, mostrando a negligência estatal e a necessidade de discussão social acerca dessa mazela.
Primeiramente, deve-se pontuar que é primordial conhecer as motivações mais comuns dos desaparecimentos para se combater de forma eficiente. A esse respeito, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública informa que a cada hora, oito pessoas desaparecem no Brasil de diferentes formas, dentre elas, rapto de crianças, sequestros, fuga de adolescentes, impulsionada por vícios em drogas, por rejeição da orientação sexual por parte da família, assédio e violência doméstica. Fica evidente, a partir disso, a amplitude do problema, envolvendo instituições como família, escola, igreja e Estado como responsáveis nesse processo, e a necessidade de engajamento e aprofundamento no assunto por vários setores.
Outrossim, a falta de comprometimento das autoridades suscita precariedade do sistema. Sob essa perspectiva, o filósofo John Locke baseia sua teoria contratualista na ideia de que o indivíduo concede sua liberdade ao Estado e esse, em troca, deve garantir direitos ao cidadão. No entanto, a realidade se afasta dessa filosofia, uma vez que, no Brasil, o sistema virtual de cadastro de desaparecidos apresenta falhas, pois permite o registro de casos por qualquer pessoa, sem o acompanhamento de um profissional e não é atualizado com a devida frequência. Assim, além de um possível acesso a informações falsas, há uma demora significativa para a resolução do fato, agravando a ansiedade e angústia dos que procuram.
Portanto, medidas são necessárias para ampliar e tornar eficiente a busca por pessoas desaparecidas. Logo, o Governo deve investir em políticas públicas voltadas para o aprimoramento da equipe de trabalho dessa área e da infraestrutura oferecida à população. Isso deve ser feito por meio de uma melhor formação dos investigadores e da contratação de psicólogos e sociólogos, auxiliando no processo, além de promover a integração dos diversos cadastros de busca dos órgãos públicos. Com isso, juntamente ao apoio da mídia na divulgação dos casos e das causas, a sociedade será melhor amparada, tornando-se reais mais reencontros e finais felizes como no filme.