Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil

Enviada em 16/07/2020

O filme “Os suspeitos”, de Nick Cassavetes, retrata o misterioso desaparecimento de dois irmãos, em que Sara, a mãe das crianças, mesmo sem os filhos, mantem a esperança e cria um banco de dados para desaparecidos, no intuito de ajudar outras família na mesma situação. Fora da ficção, o desaparecimento de pessoas é uma realidade que se repete diariamente na sociedade brasileira. Diante disso, a falta de segurança, juntamente com um banco de dados de desaparecidos escasso, atua como impeditivo à melhoria do quadro atual.

Antes de tudo, faz-se necessária uma análise acerca da quantidade de pessoas que desaparecem no Brasil. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 82 mil indivíduos desaparecem todo ano. Tal situação é reflexo da insegurança vivida pelos brasileiros, pois, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 70 % dos casos de desaparecimento ocorrem devido ao sequestro da vítima.

Ademais, a falta de uma base de dados atualizada, sobre o número de cidadãos que desaparecem diariamente, dificulta ainda mais que esses indivíduos sejam encontrados. De acordo com o IBGE, cerca de 45% dos brasileiros que desaparecem acabam não sendo registrados no Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas. Dessa forma, a falta do abastecimento de dados impede que investigações mais apuradas sejam feitas e milhares de pessoas sejam consequentemente encontradas por suas famílias.

É imprescindível, portanto, que o Estado tome as medidas necessárias para uma mudança na atual conjuntura. Sendo assim, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, juntamente com os estados, deve aumentar a segurança nos municípios, por meio do aumento de patrulhas policiais nas ruas, a fim de que haja a diminuição do número de desaparecidos decorrentes de sequestro. Além disso, o Ministério dos Direitos Humanos precisa criar uma base de dados eficaz sobre os desaparecidos, através de parcerias com as delegacias municipais, para que, diariamente, o número de desaparecidos seja atualizado e o banco de dados consiga, de fato, colaborar com a busca dos indivíduos. Somente assim, será possível reduzir a taxa de desaparecimentos e evitar que famílias, como a da personagem Sara, sofram por não reaver seus entes queridos.