Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil
Enviada em 21/07/2020
No livro 1984 de George Orwell, a questão do desaparecimento de pessoas é relatada de forma constante e muitas vezes normalizada. Similarmente a distopia encontra-se a sociedade brasileira, a qual possui milhares de indivíduos desaparecidos anualmente e a qual, assim como a obra, possui um governo omisso em relação ao assunto. Nesse sentido, também é válido ressaltar que, o desaparecimento de muitas crianças e adolescentes esta relacionado com a fuga do lar. Isto porque, tais indivíduos, pela forma como são tratados e criados pelos pais, vêem na fuga a única alternativa para conseguirem uma liberdade ilusória.
Em primeiro lugar, é preciso salientar que, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 82 mil pessoas são registradas como desaparecidas todos os anos no Brasil. No entanto, grande parte daquelas que continuam desaparecidas tem relação com a forma como o Estado lida com o assunto. Devido a omissão dos órgãos públicos, há uma baixa integração entre os estados brasileiros para a procura de um desaparecido. Sendo isso um grande obstáculo, já que muitas pessoas que desaparecem saem de seu local de origem e passam a pertencer a outro. Logo, é de suma importância que haja uma união entre os diferentes locais do território brasileiro para a busca de um indivíduo. Ademais, a forma como crianças e adolescentes são tratados em casa servem de incentivo para tais fugirem do lar e irem buscar nas ruas uma falsa liberdade. Assim, como demonstrado no livro Capitães de Areia de Jorge Amado, personagens como o Almiro viram a saída de casa como a única alternativa de obterem uma certa independência e liberdade em relação aos pais. Dessa maneira, diversas crianças e adolescentes acabam por serem registradas como desaparecidas no Brasil. Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Para que diminuam-se os obstáculos na busca por pessoas desaparecidas no Brasil urge que o Ministério da Justiça crie um órgão responsável apenas pela questão de desaparecimentos, sendo isso, feito por meio de verbas governamentais. Dessa forma, não haverá a possibilidade de omissão dos órgãos públicos em relação ao assunto, já que haverá um específico e a integração entre os estados poderá se tornar mais constante, agilizando o processo. Somente assim, será possível que o Estado se torne empenhado e engajado na busca por seus desaparecidos.