Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil
Enviada em 22/07/2020
No Brasil, o desaparecimento de pessoas vem notabilizando-se uma pauta de grande relevância. Essa situação complexa atesta a ineficácia governamental em tratar esse assunto como prioridade e o descaso por parte da sociedade civil em se certificar de seus direitos. Logo, é de suma importância que haja maior debate no que se diz respeito à potencialização das políticas públicas de combate desse problema.
Sob esse viés, em decorrência de um comportamento inexpressivo do Estado em considerar o desaparecimento de pessoas como quesito de urgência, muitas pessoas, ainda, são vítimas dessa displicência. A título de ilustração, de acordo com o Ministério Público, somente no Estado de São Paulo, em 2018, foram registrados mais de vinte mil desaparecidos. Nessa perspectiva, embora haja mecanismos que tentam minimizar casos de desaparecimento, como o Disque 100 ou Ligue 180, a administração não consegue atenuar esse cenário inadequado, fato qual tem intrínseca relação com a escassez de informes educativos que incentivem a população a usar os mecanismos de denúncia. Logo, faz-se necessário um maior comprometimento governamental que almeje erradicar esse cenário equivocado.
Ressalta-se, ainda, que muitos brasileiros contribuem para o destaque do desaparecimento de cidadãos com uma falha na certificação de seus direitos. Essa negligência deve-se à exígua pressão, de parcela da comunidade, em pressionar o poder público para aumentar campanhas educativas, as quais orientem amplamente a população sobre os procedimentos perante algum caso de desaparecimento. Além disso, as instituições escolares e familiares, ao discutirem pouco sobre o tema, no tocante às maneiras de se comportar perante estranhos e fora de ambientes conhecidos, colaboram para a maior incidência dessa situação complexa, uma vez que crianças e jovens acabam por ser indivíduos mais frágeis e passíveis de casos de desaparecimento.
Portanto, é de suma importância que o Estado, por meio de parcerias público-privadas, intensifique investimentos nas políticas públicas, como o uso de mecanismos tecnológicos que potencializem as buscas, além de maior produção de campanhas elucidativas, com o intuito de mitigar cenários exorbitantes como o explanado pelo Ministério Público. Ademais, compete à sociedade civil manifestar-se de forma mais contundente, mediante redes sociais, as quais proporcionam maior engajamento, além de mais diálogos e debates do tema pelas famílias e escolas, a fim de consolidar uma sociedade informada. Somente assim, a busca de pessoas desaparecidas poderá ser mitigada pela ampliação das políticas públicas.