Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil

Enviada em 30/12/2020

Na metade do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido à perseguição nazista na Europa. À vista disso, por ser bem recebido e impressionado com o potencial da nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é repetido até hoje, “Brasil, País do Futuro”. Entretanto, quando se observa a precária situação do sistema de busca por indivíduos desaparecidos no país, percebe-se que as ideias do autor não saíram do papel. Em síntese, esse cenário antagônico é fruto tanto de questões políticas estruturais quanto da falta de coesão social dentro das residências.

Precipuamente, é fulcral pontuar que essas circunstâncias derivam da baixa atuação dos setores governamentais. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que há no Brasil uma legislação própria ou um órgão integrado a polícia, responsável em auxiliar na busca de pessoas desaparecidas. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido na grande dificuldade que as forças de rastreio tem em investigar e solucionar casos de desaparecimento, o que devido a extrema lentidão e a baixa eficiência, limita a capacidade dos profissionais de busca e aumentar a angústia dos familiares da vítima. Logo, é inconcebível que no Brasil, país que dispõe de altas taxas de imposto, não haja métodos eficientes que auxiliem na procura por cidadãos desaparecidos.

Ademais, é imperativo ressaltar a baixa coesão familiar como promotor do problema. Consoante o portal governamental, Cidade Livre, a principal causa da fuga de adolescentes e em seguida o seu desaparecimento é a intolerância praticada pela família diante de sua orientação sexual. Nesse sentido, Emilé Durkheim, importante sociólogo, informa que a coesão é mantida através de um consenso sobre os valores da sociedade e estes princípios são transmitidos e mantidos por instituições, como a família. Porém, nos dias atuais esses juízos vêm se modificando e a visão de um jovem é diferente da dos seus familiares, então o forte preconceito força o indivíduo a optar tomar atitudes perigosas como fugir, o que sobrecarrega ainda mais o limitado sistema brasileiro de busca por desaparecidos. Portanto, torna-se necessário refletir sobre a situação, assim como os impactos irreversíveis que essa realidade ocasiona.

Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas sobre a ampliação de políticas na busca de desaparecidos. Para isso, com intuito de resolver o problema, necessita-se que o Estado, através de projetos criados por especialistas, desenvolva um órgão e uma legislação própria para tratar do tema. Além disso, tal instituição deve ter como foco corrigir falhas atuais, tais como, organizar e documentar os casos e interligar as forças de rastreio, pois, para a rápida resolução das ocorrências a comunicação é fundamental. Dessa forma, a convicção de Zweig acerca do Brasil se tornará uma realidade.