Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil

Enviada em 05/10/2020

No filme de drama-biográfico, “Lion - Uma Jornada para Casa”, mostra a história de Saroo, um menino indiano de cinco anos de idade, que se perdeu de seu irmão em uma estação de comboios, após alguns anos vivendo na rua, ele acaba por ser adotado por um casal australiano e 25 anos depois, parte em busca de sua família. Felizmente, o caso de Saroo terminou com um final feliz, no entanto casos como estes, estão longe de retratar a realidade no Brasil.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que realizou uma pesquisa para o Comitê internacional da Cruz Vermelha, sobre os boletins de ocorrências registrados por desaparecimentos no Brasil. Consta que, entre os anos de 2007 a 2016, foram 693.076 registros de pessoas desaparecidas. Em média, 190 pessoas desapareceram por dia neste período, oito por hora. Nos casos de crianças e adolescentes, entre as causas do desaparecimento, está o tráfico, feito por quadrilhas, para venda de órgãos, trabalho escravo, prostituição ou adoção ilegal, além de maus-tratos e problemas familiares.

Diante de elevados e, infelizmente, crescentes números, nota-se uma discrepância em relação à divulgação desses casos e aos números de políticas públicas eficientes, revelando uma postura leviana por parte do Governo. Segundo Ivanise Esperidião, fundadora e presidente da Associação Brasileira de Busca e Defesa a Crianças Desaparecidas (ABCD), mais conhecida como ONG Mães da Sé, o poder público é muitas vezes omisso em relação aos desaparecidos: “Encara-se como uma mera estatística o problema, nossos filhos se tornam meros números”.

Portanto, faz-se necessário a criação de novas políticas públicas eficazes, como por exemplo: aprovar leis sobre a divulgação de fotos e dados sobre desaparecidos em comerciais de televisão, promover campanhas de prevenção a desaparecimentos em escolas para adultos e crianças, apoiar economicamente e por meio de publicidades ONG’s pautadas neste assunto, criação de programas de apoio social e psicossocial para famílias dos desaparecidos, entre outros, já que, como afirma Marianne Pecassou, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, “enquanto essas necessidades não forem satisfeitas, as famílias muito dificilmente conseguirão reconstruir suas vidas”. Diante de tais mudanças promovidas pelo Governo, haverá uma maior ampliação de políticas públicas na busca de pessoas desaparecidas, de modo que, casos como o de Saroo, se tornem frequentes na realidade brasileira.