Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil

Enviada em 07/07/2021

O Brasil enfrenta uma crise relacionada a pessoas desaparecidas persistente em toda sua sociedade. Segundo o Ministério da Justiça, o país possui o maior índice de pessoas desaparecidas por ano em toda América do Sul e esses números vem apenas aumentando nos últimos tempos. Essa situação nefasta ocorre não somente pelas desinformações no que tange o tempo de denúncia, mas também na ausência de um sistema integrado na busca dessas pessoas.

Diante desse cenário, torna-se importante evidenciar o quanto a disseminação de falsas de informações, como a de que é preciso esperar 24 horas antes de se fazer uma denúncia de desaparecimento influência em problemas posteriores Em uma pesquisa realizada pelo Fantástico em 2017, foi revelado que cerca de 40% dos entrevistados acreditavam que o tempo de espera era realmente preciso, e pior, no caso de adolescentes, esse atraso no reporte era incentivado pelos próprios policiais. Tais ações, tem por consequência o atraso no início das buscas, o que acaba por acarretar em uma maior dificuldade no rastreamento dos passos, pistas e localização de testemunhas oculares. Dessa forma, é lúcido apontar que a propagação da desinformação e ausência do combate delas por parte das autoridades, podem resultar em um caminho estreito de irreversão, uma vez que cada segundo quando uma vida está em jogo, torna-se importante.

Paralelo a isso, tem-se a falta de um sistema integrado na busca por essas pessoas desaparecidas. Em consonância com a advogada Gisele Bicalho, a ampliação de políticas públicas no que se diz respeito a essas buscas, necessita de uma interligação e liberação de recursos não somente entre os estados, mas também com países com os quais fazemos fronteira, o que otimizaria tempos e recursos na busca e resgate de casos domésticos e internacionais. De tal maneira, é notorio dizer que ao ser ciente da frequência e aumento de tais casos e não exercer de forma efetiva esse poder de aumento no alcance nas procuras, o Estado está apenas revelando-se  negligente com seus próprios cidadãos.

Depreende-se, portanto, a necessidade de um real comprometimento do governo nas soluções desses casos, por intermédio de parcerias internas e externas, com os estados e países vizinhos, visando a criação de um sistema único de buscas que fortaleça o fluxo de informações, com a integração não somente de dados de diferentes delegacias, como também de hospitais, clínicas, aeroportos e fronteiras. Além disso, é primordial que aja um combate reforçado à luta as falsas informações, por meio de parcerias público-privadas, que visem espalhar nos principais meios de comunicação, como redes sociais, rádios e tv, a importância da denúncia ser feita ainda nas primeiras horas. Espera-se, com o conjunto dessas ações, ampliar de forma efetiva as buscas pelas pessoas desaparecidas no país.