Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil
Enviada em 18/12/2020
A minissérie “O desaparecimento de Madeleine McCann” mostra o drama real de uma família britânica que têm sua filha de 6 anos desaparecida em Portugal. Infelizmente, o drama de pessoas desaparecidas é realidade para muitas famílias brasileiras. Nesse sentido, é preciso discutir as causas dessa questão e como combate-la.
Em primeira análise, necessita-se entender os tipos de desaparecimentos e os motivos para tais. A Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas classifica em: desaparecimento voluntário, involuntário e forçado. Esse último sendo o mais preocupante pois as vítimas, em maioria crianças e adolescentes, são levadas para vários fins como por exemplo, o tráfico internacional de pessoas, pedofilia, trabalho análogo à escravidão ou até a morte. É evidente que as tecnologias atuais colaboram para criminosos buscarem suas vítimas nas redes sociais, seja pela exposição exagerada seja pelo descuido dos pais ao focarem sua atenção nos smartphones.
Além disso, é preciso analisar como a mídia e os meios de comunicações podem contribuir para resolver esse dilema. Na minissérie, fica claro que as reportagens divulgadas foram essenciais para conhecimento do caso e até mesmo para considerar-se os pais como suspeitos. O fato de Madeleine ser branca e de classe média tomou proporções jamais vistas antes. Na realidade brasileira, a grande maioria dos casos são de pessoas pobres, negras e de regiões periféricas. De acordo com o Fórum de Segurança Pública, em 2017 foram registrados em todo o Brasil 82.684 desaparecimentos, porém pouquíssimos tiveram ampla divulgação.
Fica claro, portanto, que a mídia e o Estado como principais agentes, precisam trabalhar em conjunto. Cabe então ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceira com as polícias estaduais e amplo apoio dos meios de comunicação, ampliar os investimentos nos departamentos de buscas e a divulgação de cartilhas preventivas como também mais anúncios dos casos de desaparecimentos. Isso deve ser feito nas redes sociais, por meio dos espaços reservados para publicidade, em campanas nas escolas e órgãos públicos. Dessa forma, torna-se mais fácil o trabalho da população de reconhecer e ajudar as autoridades. Somente assim, casos como da família McCann se tornaram exceções e não uma regra.