Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil

Enviada em 16/02/2021

Na série “Outlander”, evidencia-se, após a Segunda Guerra Mundial, em 1945, o desaparecimento da ex enfermeira militar Claire Randall, a qual, através das pedras de Craigh Na Dun, acidentalmente viaja no tempo e vai para o ano de 1743. De maneira análoga, fora da ficção, infelizmente, no Brasil, assim como Claire, apesar de não viajarem no tempo, milhares de pessoas desaparecem todos os dias — e nunca mais são encontradas. Nesse sentido, em razão da falta de profissionais qualificados e de um silenciamento social, emerge um problema complexo, o qual precisa ser revertido.

Diante desse cenário, a incompetência de muitos profissionais atua como catalisador para que muitos indivíduos nunca mais sejam encontrados. Nesse viés, confrome John Locke — pai do Liberalismo econômico —, o Estado é encarregado de garantir ao homen o que é necessário para viver socialmente. Sendo assim, ao se observar a situação de familiares que vão buscar ajuda nos casos de desaparecimento de entes queridos, nota-se que a ideia defendida por Locke é ignorada, já que, em diversas ocasiões, os orgãos responsáveis não assumem suas devidas competências, por exemplo, no descaso com o Sr. Gersino, em Basília, o qual foi na delegacia notificar o sumiço da filha e os policiais não o ajudaram. Com isso, para que os cidadãos tenham melhor qualidade de vida, o Estado não pode ser indiferente a essa situação calamitosa.

Ademais, a falta de debates acerca do tema é outro grave fator ao impasse. Sob esse ângulo, conforme a filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano. Diante disso, ao se analisar a forma como é tratado os casos de indivíduos desaparecidos, percebe-se que, lamentavelmente, isso é visto como algo bastante comum pela maior parte da coletividade, pois, apesar de que milhões de pessoas já desapareceram — muitas continuam a desaparecer no Brasil —, como a pequena Alanis Maria Laurindo de Oliveira, que, em 2010, sumiu e só foi encontrada muitos dias depois, quando violentada e morta, com apenas 5 anos. Logo, é necessário que esse pensamento de normalidade acerca de tais casos sejam desconstruídos para que, assim, o Brasil consiga combater o maior entrave denunciado por Arendt: a banalidade do mal.

Infere-se, portanto, que a mídia, que tem papel fundamental na organização, curadoria e legitimação das informações, com o Ministério da Segurança Pública, crie e realize um projeto. Diante do pressuposto, tal ação informará toda a comunidade o quão grave é ter um parente ou conhecido sumido, com a finalidade de torná-la mais cooperativa acerca do contexto. Além disso, deve-se oferecer programas para melhorar a atuação dos profissionais dessa área, por exemplo, policiais e detetives. Dessa forma, espera-se ampliar as políticas públicas acerca do desaparecimento de pessoas no Brasil.