Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil
Enviada em 19/11/2021
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu, em suas obras, uma “teologia do traste”, cuja característica principal reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Sob a ótica barrosiana, faz-se preciso valorizar a ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil. Nesse sentido, a fim de dissertar e argumentar sobre essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a educação brasileira.
Mormente, deve-se salientar a ausência de medidas governamentais eficazes para solucionar os casos de desaparecimentos. Nessa conjuntura, Otto Von Bismarck, estadista mais importante da Alemanha do século XIX, afirmou que o Estado deve garantir o bem-estar social da população. Sob esse viés, na medida em que existem pessoas sofrendo por não conseguir encontrar seus familiares e desamparados pela justiça brasileira, observa-se a falha da função do poder público, o que é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar que uma grande parcela da população se mostra alienada. De acordo com o musicólogo Vladimir Jankélévitch, em seu livro entitulado “Paradoxo da moral”, o homem moderno carrega uma cegueira ética, ou seja, as pessoas apresentam passividade frente aos impasses enfrentados. Similarmente, os cidadãos brasileiros não enxergam que essa problemática causa prejuízos devastadores na sociedade, como o aumento do número de moradores de ru, e que todos necessitam abraçar essa causa em conjunto. Essa situação ocorre, porque a população assume uma postura individualista e não se movimenta em prol de mudar essa condição. Desse modo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar esse entrave. Sendo assim, cabe ao poder Legislativo, por meio da implementação de leis, atualizar os meios de busca de pessoas desaparecidas com o uso de tecnologia de qualidade e inteligência artificial aumentando o número de casos solucionados. Paralelamente, é imperativo que o Ministério da Educação, promova uma série de palestras em escolas, ministradas por especialistas no assunto, que tenham alunos do ensino medio como público-alvo. Essa ação deve ser compartilhada na rede social do Ministério em formato de “live”, com a finalidade de trazer mais clareza sobre a importância da participação social na procura por pessoas desaparecidas e os pontos negativos dessa problemática, atingindo um público maior. Assim, torna-se possível a contrução de uma sociedade permeada pela incorporação dos elementos elencados na Magna Carta.