Ampliação de políticas públicas na busca por pessoas desaparecidas no Brasil

Enviada em 11/03/2022

Apesar da repercussão nacional com a narrativa do desaparecimento da modelo brasileira Eliza Samudio, ocorrido ainda em 2010, nem mesmo a comoção dos brasileiros foi o suficiente para localizá-la. Infelizmente, nem todas as vítimas de desaparecimento no Brasil conseguem um alcance tão significativo, mas, assim como Eliza, dependem da ampliação de políticas públicas para melhores condições para a solução de seus casos. Nesse sentido, com o objetivo de superar esse paradigma, torna-se relevante o investimento no combate ao tráfico de pessoas e em um sistema de denúncias e buscas a nível nacional.

Em uma perspectiva inicial, é importante entender a correlação do desaparecimento com o comércio ilegal humano. Nesse raciocínio, na série de “streaming” “Beastars”, quando o personagem Louis relata que foi comprado do mercado de carnes pelo pai que o adotou, onde poderia também ser vendido para consumo e exploração, é possível traçar um paralelo entre sua situação e o tráfico de pessoas e órgãos, que também é responsável pelo sequestro e desaparecimento de indivíduos na vida real. Nesse contexto, torna-se imprescindível o desenvolvimento de políticas de buscas nesse sentido, uma vez que o problema encontra meios para perpetuação dentro dessa prática.

Ademais, é essencial atuar no melhoramento dos canais de denúncias no que concerne esse problema. Sob essa ótica, no livro “1984”, do escritor George Orwell, em que os meios do governo servem não para proteger, mas para sequestrar indivíduos - ato então denominado “evaporação”, uma vez que as pessoas desaparecem junto com seus registros de existência -, compreende-se a influência de um sistema desinteressado na segurança dos cidadãos e inclusive ativo no atentado contra ela. Logo, a existência de um sistema inteligente de investigações relacionadas a esse fenômeno deve ser uma prioridade para seu desmonte.

Dessa maneira, medidas são necessárias para concretizar a ampliação dessas políticas de busca e combate ao desaparecimento de pessoas. Portanto, cabe ao Ministério da Justiça, em parceria com a Polícia Federal, criar, além de um canal específico de denúncias, um plano de desmonte o tráfico humano no país, para, assim, desarticular e tratar o problema dos desaparecidos no Brasil.