Aplicativos x empresas tradicionais: A revolução tecnológica do século XXI

Enviada em 17/01/2021

“O pior mal é aquele visto como cotidiano”. A máxima da filósofa alemã Hannah Aradent aponta, de acordo com seus estudos, a indiferença da sociedade frente a certas questões. Nesse contexto, destaca-se a nova revolução tecnológica que, hodiernamente, transforma a vida de milhares de pessoas que possuem empregos tradicionais. Esse é um problema que está diretamente relacionado à realidade do Brasil, seja pela negligencia governamental, seja pela indiferença social.

A princípio, é incontestável que a inoperância estatal esteja entre as causas do problema. Poucas são as políticas públicas que garantem que as empresas tradicionais não sejam subjugadas pelas novas tecnologias, o que resulta no fechamento das corporações e no aumento do desemprego. Nesse prisma, de acordo com o filósofo Jhon Locke, ocorre uma quebra do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função constitucional de promover o direito ao trabalho para a população. Decerto, isso se demonstra na pesquisa realizada pelo Sebrae, em 2019, que informa que a cada 10 novas empresas abertas, apenas 3 prosperam. Esse número revela que ainda não insuficientes as ações do governo para mitigar o problema.

Outrossim, destaca-se a cultura da ignorância perpetuada por parte da sociedade que, muitas vezes, não entende os malefícios do embate entre aplicativos e empresas tradicionais, levando apenas o fator custo em consideração na hora de escolher o serviço. Isso está de acordo com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Tal fato pode ser observado pela reportagem publicada pelo jornal G1, que diz que em 2020 o número de corridas em aplicativos de transporte quase dobrou, enquanto as dos taxis diminuíram 11%. A falta de informação faz com que a sociedade promova um ciclo vicioso que fale empresas tradicionais podendo gerar um prejuízo social incalculável.

Diante desse cenário, é mister que o Senado Federal, promova o equilíbrio entre as novas tecnologias e os benefícios das empresas tradicionais, por meio da criação de uma lei que oriente os aplicativos a absorver a mão de obra tradicional, a fim de evitar o prejuízo social do desemprego, sendo isso necessário para reduzir o numero de empresas que fecham no Brasil. Além disso, palestras devem ser realizadas para a população, a fim de explicar outros fatores que vão além do custo na hora de escolher um serviço, para que, gradativamente, esse imbróglio deixe de ser indiferente para a sociedade conforme o pensamento de Hannah Arendt.