Aplicativos x empresas tradicionais: A revolução tecnológica do século XXI
Enviada em 20/07/2021
Iniciada em meados do século XX, a Revolução-Técnico-Científica-Informacional marca a tecnologia como principal característica da modernidade. Embora esse processo tenha ajudado a democratização da informação na sociedade contemporânea, ele também apresenta um choque no setor econômico: Com o avanço da internet, os consumidores tendem a optar pela praticidade, baixo custo e melhor qualidade dos serviços. Nesse aspecto, empresas tradicionais acabaram ficando um passo atrás dos aplicativos que utilizam das suas principais desvantagens para oferecer melhores custos, mas desvalorizar cada vez mais a mão de obra.
Em primeira instância, é indubitável que os aplicativos surgem com o intuito de facilitar as necessidades do público quanto às empresas, entre elas, os custos destes serviços. Segundo o filósofo Pierry Levy, a sociedade passa por um fenômeno denominado por ele como “Novo Dilúvio”, uma metáfora que caracteriza a dificuldade das pessoas de “escaparem” do uso da internet. Nesse contexto, nota-se que as organizações de empreendimento se vêem obrigadas a se adaptarem às rápidas mudanças propostas pela tecnologia, como o WhatsApp, que possibilitou que usuários trocassem mensagens de forma gratuita, apenas necessitando de uma conexão móvel de dados. Assim, o programa fez com que empresas telemóveis se reinventassem, agora, as operadores aproveitam a alta demanda da rede para vender pacotes que oferecem o uso ilimitado da plataforma.
Por conseguinte, diferentemente do embate enfretado pelas corporações de telecomunicações, a Uber obteve sucesso em vencer sua concorrência, as redes de táxi. Apesar do aplicativo oferecer melhores preços aos consumidores, a empresa privada também atrai os trabalhadores por promover uma falsa autonomia: Os motoristas têm uma melhor flexibilidade de horários, mas só recebem por cada rota finalizada. Dessa forma, percebe-se que a “ilusão de liberdade do mundo contemporâneo” afirmada pela Escola de Frankfurt é uma estratégia sintática das empresas modernas. Além disso, a plataforma também marca um aumento potencial nos trabalhos informais, o que significa menos direitos trabalhistas aos usuários cadastrados para prestarem serviços.
Portanto, faz-se necessário aderir medidas que venham amenizar os danos do avanço de aplicativos no setor econômico e social. Sendo assim, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Economia, interver de maneiras estratégicas no uso de programas no país, a fim de monopolizá-los e utilizar de seus recursos para benefício do cidadão e do governo. Urge, também, a necessidade de fortificar os sindicatos nas redes privadas de prestação de serviços, de forma a valorizar os direitos do trabalhador. Dessa forma, talvez, estaremos contrários ao conceito da escola de Frankfurt.