Aplicativos x empresas tradicionais: A revolução tecnológica do século XXI
Enviada em 27/08/2021
Na sociedade moderna, é fato que o combate ineficiente aos malefícios da era tecnológica trabalhista acarreta empecilhos no cenário atual brasileiro. Nesse viés, o mal em questão perpetua-se ao passo que a plena garantia dos direitos trabalhistas, assegurados pela Consolidação das Leis do Trabalho, não se reverbera com ênfase na prática. Logo, a inobservância do Estado frente às consequências dos avanços tecnológicos ante empresas prestadoras de serviços e a alienação trabalhista implementada sob os empregados atuam como agravantes da situação.
Com efeito, observa-se a negligência governamental em função da prevenção desse acontecimento. Conforme o filósofo Thomas Hobbes, os homens não são capazes de estabelecer a ordem social, por isso é imprescindível a existência de um contrato social, que norteie as ações humanas para a harmonia. No Brasil, nota-se a importância desse pensamento para a preservação dos direitos e deveres na relação entre empregador e funcionário, sobretudo no contexto atual dos aplicativos, que estão se sobrepondo intensamente à maneira de prestação de serviço tradicional. Nessa perspectiva, o obscurantismo quanto ao monitoramento de visíveis irregularidades, situação ratificada pelo portal de notícias Carta Capital, em 2016, acerca da Quarta Revolução Industrial, corrobora para que os trabalhadores brasileiros se distanciem do ideal de dignidade física e mental.
Outro fator a ser analisador é o discurso motivacional alienador promovido pelas empresas, que propaga uma ideia equivocada de autossuficiência do operário. Partindo desse pressuposto, cabe citar o livro intitulado “Sociedade do Cansaço”, de Byung-Chul Han, em que o autor atenta para os efeitos colaterais do excesso de positividade no cenário de “uberização do trabalho” vivenciado no século XXI, fomentado - em especial - pelas grandes empresas. Dessa forma, os aplicativos, que oferecem uma maior dinamização para a sociedade, continuam fortemente alicerçados pelo discurso em questão, ocasionando uma maior precarização nas relações laborais, em que os cidadãos se submetem a uma jornada extensa de trabalho e remuneração incompatível à mesma.
Portanto, esse grave problema social requer intervenção imediata. Para tanto, o Ministério da Tecnologia deve se aliar ao Ministério do Trabalho na elaboração e divulgação de um projeto nas redes de televisão aberta e nas mídias sociais, que atuam como formadoras de opinião no contexto da modernidade, a partir do encontro de especialistas, em que esses profissionais disponibilizem um conjunto de advertências e de orientações sobre os efeitos negativos da tecnologia no mundo do trabalho, para evitar que a população brasileira se submeta a essa ideologia meritocrática, objetivando construir o senso crítico das pessoas, tendo em vista o neoliberalismo enraizado na nação brasileira.