Aplicativos x empresas tradicionais: A revolução tecnológica do século XXI

Enviada em 13/10/2021

“Nada é orgânico, é tudo programado”, canta Pitty. De fato, a revolução tecnológica do século XXI alterou para sempre as relações de produção, de modo que empresas e serviços tradicionais vêm perdendo espaço para os novos aplicativos no mercado, como o Uber e o Whatsapp. É preciso, portanto, analisar a causa do sucesso dos “apps” e suas consequências.

Mormente, a comodidade da Internet acarreta em uma competição injusta entre setores tradicionais e virtuais. Acerca disso, os sociólogos distinguem o conceito de “desemprego estrutural”, isto é, a desocupação ocasionada pelas mudanças tecnológicas e culturais de uma sociedade. Com efeito, cargos, como o de telefonista, logo ficaram obsoletos com o advento de aplicativos de entrega, por exemplo, o iFood. Já outros tantos, como funcionários de bancos, têm o futuro ameaçado por soluções em crescente popularidade, como o “internet banking”, o qual é uma opção muito mais prática ao consumidor, que pode resolver seus problemas em casa. Por conseguinte, tais profissionais acabam por compor a triste realidade da população inativa, que é responsável por estagnar a economia e o poder de compra de muitas famílias.

Outrossim, a popularização dos serviços por “apps” resulta na banalização dos vínculos empregatícios, que têm por função proteger o trabalhador. Isso ocorre, pois esses aplicativos, infelizmente, não empregam por carteira assinada, o que livra essas corporações de garantir direitos como 13° salário, férias ou licenças médicas. Assim, o trabalhador médio, que dificilmente conhece a história das reinvidicações políticas durante o governo Vargas que levaram à CLT (consolidação das leis trabalhistas), tem a falsa impressão que os horários flexíveis e a alta remuneração de empresas como o Uber compensam pela proteção perdida. Desse modo, fica evidente a necessidade de políticas públicas que atraiam esses profissionais da informalidade para o contrato legal.

Destarte, analisadas as causas da popularidade e as consequências sociais desse fenômeno, é papel do Legislativo federal, por meio de uma proposta de lei, prever que empresas as quais estejam migrando para o mundo virtual, como bancos estão adotando o “internet banking”, tenham a obrigação de financiar cursos técnicos no setor tecnológico para funcionários em risco de demissão, de modo que esses possam assumir novos cargos dentro da corporação, ao invés de apenas terem seu contrato terminado. Aliás, é dever também dos consórcios de táxi de cada cidade, mediante parceria público-privada com o Executivo municipal, oferecer bônus salariais a futuros contratados que venham do trabalho informal por aplicativo, visando a aumentar proporcionalmente a parcela formal da categoria e tornar tais vínculos empregatícios, novamente, “orgânicos”.