As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 04/04/2022
O filme “O menino que descobriu o vento”, baseado em fatos, fala sobre um menino, pobre e muito inteligente, que não recebeu o apoio do pai em relação ao seu projeto de física, o qual traria água em meio a estação da seca que a população local enfrentava. Não distante da obra, no Brasil atual, grandes são as consequências a longo prazo da problemática e persistente fuga de cérebros. Destarte, faz-se necessário um olhar crítico diante desse obstáculo, que tem a insuficiência governamental e a lógica capitalista como principais causas.
Nesse sentido, observa-se a insuficiência do governo como fator atuante. A Constituição Federal, promulgada há mais de 30 anos, visa garantir o desenvolvimento nacional. No entanto, percebe-se um comando ineficaz no que diz respeito à persistência da fuga de cérebros, uma vez que o Estado reduz os fundos de investimento para as áreas de ciências tecnológicas, por exemplo, trazendo ao invés de um desenvolvimento nacional, um desequilíbrio entre muitos profissionais formados e poucas vagas de emprego a serem preenchidas. Logo, é mister que esse motivo não se perpetue.
Outrossim, a priorização de interesses financeiros é um entrave no contexto. Bauman diz que :’’ Os valores da sociedade tem sido colonizados pela lógica capitalista." Sob esse viés, percebe-se que a dedicação política está destinada aos lucros a curto prazo, visto que cada vez mais investem menos em recursos científicos, em pesquisadores e em oportunidades de crescimento para os mesmos, tornando crescente e oportuna a fuga de cérebros, para que esses exerçam sua profissão em países onde são valorizados.
Em síntese, são necessárias medidas capazes de mitigar a problemática. Para isso, o Estado deve, por meio de diretrizes de investimentos, criar novos centros de pesquisa, fazendo-se necessária a abertura de consursos públicos para o preenchimento de vagas, para que haja ofertas de emprego aos profissionais capacitados, trazendo desenvolvimento para o país. Deve, além disso, investir nos polos de pesquisa já existentes, prorrogando o tempo e aumentando as bolsas de financiamento estudantil, a fim de que haja um maior reconhecimento dos cientistas nacionais. Assim, a falta de apoio será apenas parte do filme.