As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 05/04/2022
O youtuber brasileiro Lucas Felpi conseguiu em 2018 a façanha de obter nota máxima tanto na redação, quanto na prova de matemática do Enem. Com tal resultado, Lucas poderia ser aprovado em qualquer universidade brasileira no curso de seus sonhos (Ciência da Computação), no entanto, optou pela Universidade de Michigan, nos EUA. Posto isto, o fato supracitado elucida a necessidade de atenção quanto a questão da fuga de cérebros no Brasil, que tem como motivação: a falta de investimentos e a instabilidade socioeconômica no país.
Em primeiro plano, tem-se a falta de investimentos como fator de manutenção do problema. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, a taxa de investimentos no Brasil está em seu menor nível dos últimos 50 anos. Com isso, o prognóstico intelectual e financeiro a longo prazo tende a ser negativo para o Brasil, pois, o país entrará em um ciclo vicioso de dependência tecnológica e de conhecimento das nações mais desenvolvidas, o que irá gerar futuramente gastos com inovações que poderiam ser cultivadas em solo brasileiro. Conclui-se, então, que esse ciclo só será rompido, quando os estudantes brasileiros receberem do Estado, motivações financeiras que viabilizem seu desenvolvimento em seu território nacional.
Ademais, a instabilidade socioeconômica atual do Brasil, dificulta a resolução da problemática. Com base nisso, dados do G1 explicitam que valor do dólar atingiu, na pandemia, o maior valor da história. Nesse sentido, configura-se no Brasil, uma enorme instabilidade socioeconômica, isso faz com que certas áreas que anseiam de insumos estatais sejam vistas como secundárias no tocante à relevância imediatista, e como produto disso, sejam postas em inércia. Logo, essa postura do Estado brasileiro, reforçam as raízes da fuga de cérebros no país, aumentando ainda mais suas consequências a longo prazo.
Destarte, mudanças precisam ser aplicadas para a amenização das consequências desse impasse. Para tanto, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União, devem, por meio de emendas constitucionais, garantir maior destinação de verba para a formação acadêmica dos brasileiros. Essas, devem ser feitas com transparência no Diário Oficial da União e com participação social para garantir maior efetividade, a fim de diminuir a fuga de cérebros em questão no Brasil.