As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 06/04/2022
Em sua palestra inaugural no congresso internacional TEDx, o sociólogo australiano Dr. Peter Smith argumentou que uma sociedade evoluída e madura é aquela que valoriza seus profissionais e sua produção intelectual. Esse é um tema importante na atualidade, considerando que o Brasil vive as consequências a longo prazo da fuga de cérebros. Quanto mais qualificado for o profissional, maiores são as chances de ele conseguir um emprego no exterior, abandonando assim o país nativo e deixando de contribuir para a sociedade que permitiu sua formação. O Brasil não tem mercado suficiente para absorver pessoal altamente qualificado. Além disso, não existe investimentos sofucientes do governo para expandir os negócios do país em alta tecnologia.
Primeiramente, deve-se entender que para reter os profisssionais qualificados que fogem do país é necessário que haja um mercado sólido, com empresas e instituições bem estabelecidas, com projetos de médio e longo prazo. Sem oferta da vagas de trabalho atrativas, é natural que as pessoas procurem outro lugar para trabalhar. De acordo com o economista paulista Dr. Josué Barro, a formação de profissionais qualificados é bem maior do que o mercado consegue absorver. Existe muito menos empresas de tecnologia de ponta por habitanto no Brasil do que em comparação com os países desenvolvidos.
Por outro lado, podemos compreender que não tem havido investimentos sólidos, principalmente por parte do governo, para mudar essa triste realidade de mercados. O país não cria incentivos para que as empresas de tecnologia de ponta venham para o Brasil e invistam em projetos locais. Para o economista mineiro Dr. Antônio Borges, o investimento do governo federal em projetos de fomento a pesquisa não chega a 1% do PIB nacional, ao passo que em países como Alemanha e Japão esse investimento ultrapassa 10%. O governo precisa agir para facilitar a vida das empresas.
Portanto, percebemos que o cenário atual não é favorável a permanência de cérebros no país. Para tanto, propõe-se que o governo federal aumento o investimento em pesquisa para 5% do valor do PIB, a fim de atrair empresas que abrirão postos de trabalhos locais.