As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 13/04/2022

Na obra “Utopia”, Thomas Morus idealiza uma sociedade harmônica em que prevalece o bem-estar social. Entretanto, alguns fatores contribuem para distanciar a sociedade atual da idealizada pelo autor, entre eles, as consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros do Brasil, emergidas, principalmente, das precárias condições para o desenvolvimento científico e da crescente instabilidade do cenário social do país.

A partir da análise acima, deve-se pontuar que as precárias condições para o desenvolvimento científico propiciam a fuga de cérebros. A curto prazo, esse fenômeno pode ser visto apenas como a emigração da mão de obra qualificada, entretanto, a longo prazo percebe-se os efeitos avassaladores à economia e ao progresso nacional ocasionados por esse cenário. De forma análoga à atualidade, no Período Colonial, as famílias mais abastadas enviavam seus filhos à Europa para que pudessem ter melhores oportunidades, o que resultava, muitas vezes, no não retorno dos brasileiros qualificados, fato que tardou o crescimento nacional e afetou a economia, haja vista a escassez de profissionais disponíveis no país.

Além disso, pode-se observar que o panorama de instabilidade social contribui para o fenômeno supracitado, já que a maioria dos profissionais não encontra garantia de inserção no mercado de trabalho. O insuficiente suporte estatal, com frequentes cortes de verbas nas áreas de educação, potencializa os danos sociais conforme perde mão de obra qualificada para outras nações. Assim, verifica-se que tal contexto é contrário à visão Hobbesiana de que o Estado deve ser responsável pelo progresso social.

Portanto, é evidente que medidas são necessárias para combater esse entrave. Nesse sentido, é dever do Ministério da Educação propiciar condições adequadas ao desenvolvimento científico por meio de maiores investimentos na educação pública, de modo a contemplar tanto o ensino básico quanto o supeior, a fim de alavancar o progresso científico e tecnológico nacional. Outrossim, o Estado deve zelar pelas condições sociais do país por intermédio de programas de beneficiamento das famílias de baixa renda, como o ProUni, para gerar oportunidades nacionais de desenvolvimento científico e profissional para todos.