As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 24/04/2022

Denomina-se “fuga de cérebros” o êxodo, para outros países, de cientistas e de mão de obra qualificada. No Brasil, em virtude de um ambiente desfavável à ciência, esse fenômeno tem se mostrado recorrente, ocasionando dependência em relação a tecnologias estrangeiras e perpetuando o “status” colonial do nosso país no panorama geopolítico global.

Vivemos em um meio técnico-científico-informacional. Nesse cenário, não se “gasta” com ciência: investe-se em ciência. Não por acaso, as maiores empresas da atualidade são do ramo da informação. Como exemplo, pode-se citar a Alphabet - dona do Google e de outras marcas -, a Apple, a Meta etc. Contudo, na contramão dessa lógica, observa-se, no Brasil, um desinteresse do Governo em relação à ciência. Tal desinteresse manifesta-se, por exemplo, na redução do número de bolsas de pós-graduação e no baixo valor dessas bolsas. Paralelamente, é cada vez maior o número de programas promovidos por universidades estrangeiras com vistas a atrair talentos provenientes de várias partes do mundo. O êxodo de cérebros resultante dessa conjuntura representa, para o nosso país, a perda de oportunidades para desenvolver novas tecnologias, bem como, a longo prazo, o aumento de gastos com “royalties”.

Esse cenário é apenas uma continuação da lógica colonial no Brasil. No bicentenário da nossa independência, assim como exportávamos açúcar e terceirizávamos o seu refino em ocasião do domínio português, ainda baseamos nossa economia na exportação de commodities - minérios, grãos e carne bovina, por exemplo -, bem como pagamos caro pela importação de matérias-primas transformadas, por intermédio da ciência, em tecnologia.

O êxodo de cérebros, portanto, ameaça estender, ainda por muitos anos, o caráter colonial da geopolítica brasileira, perpetuando, assim, a nossa dependência em relação às tecnologias estrangeiras. Para atenuar esse problema, faz-se necessário que o Governo Federal amplie a verba destinada ao financiamento de pesquisas, o que permitirá aumentar o número de bolsas de estudos e os valores dessas bolsas, além de proporcionar melhor infraestrutura para a pesquisa. Dessa forma, a pesquisa se tornará mais atrativa no Brasil, atenuando a fuga de cérebros.