As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 27/04/2022
A fuga de cérebros consiste na emigração de recursos, na forma de capital humano, ocorrendo geralmente com a saída de trabalhadores de países em desenvolvimento para países desenvolvidos. Nesse sentido, tal fuga, no Brasil, é negativa visto que suas consequências geram perda crescente de produtores de conhecimento e dependência tecnológica.
Mormente, é notório o aumento do número de profissionais que saem do país de origem rumo à condições melhores para produção de conhecimento. De acordo com a BBC News Brasil, nos anos de 2019 e 2020 houve um aumento de 40% no que tange à saída de cientistas do Brasil. Nessa perspectiva, é possível observar o quão significativo tal dado pode ser, haja vista que representa um futuro desagradável para a pátria. Assim, se o cenário atual não passar por mudanças efetivas no que concerne os investimentos estatais em produção científica, há uma grande probabilidade do Brasil ser um país sem profissionais altamente qualificados.
Outrossim, é inegável a ocorrência de dependência tecnológica. Conforme dados do núcleo de Economia da Universidade Federal do Pará (UFPA), estima-se que com a fuga de cérebros o Brasil se torne tão dependente de tecnologia estrangeira quanto foi no seu período de industrialização. Dessa forma, tem-se um marcante retrocesso no que diz respeito ao potencial tecnológico brasileiro, deixando claro a necessidade do país de investir em educação e esperar pelo retorno de tal investimento, ainda que seja a longo prazo. Além disso, com tais medidas, há a possibilidade de vender os royalties de determinada tecnologia, isto é, o valor cobrado pelo direito de uso, exploração e comercialização de determinado produto ou tecnologia, contribuindo para o crescimento econômico do país.
Destarte, é verídico que a fuga de potencial humano é negativa para o Brasil. Logo, é necessário que o Governo invista em produção científica e no melhoramento dos centros de análises, por meio de maiores e melhores orçamentos para pesquisas e equipamentos laboratoriais, a fim de incentivar as produções científicas e a qualificação de cientistas em seu país de origem. Assim, ter-se-á uma amenização da emigração de brasileiros e uma menor dependência tecnológica.