As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 12/04/2022

Historicamente, um fator determinante para a recuperação econômica do Japão e o seu desenvolvimento, ocorrido após a Segunda Guerra, foi o investimento massivo em educação. Assim, é possível inferir que a fuga de cérebros, causada pela desvalorização da ciência e pela falta de investimento, têm consequências que afetam e prejudicam o desenvolvimento econômico do Brasil a longo prazo.

Em primeira análise, é necessário apontar que a persistência da fuga de cérebros no Brasil ocorre em um contexto de desvalorização da produção intelectual nacional. Essa prática, típica de momentos políticos conturbados, é reflexo de um ambiente hostil e intolerante, o qual alimenta a desvalorização da ciência. Isso pode ser observado na onda de ataques, noticiados pelo jornal O Globo, que os técnicos da ANVISA (Agência de Vigilância Sanitária) sofreram após aprovarem a vacina da Covid-19 para adolescentes. Dessa forma, intelectuais competentes, como os cientistas da ANVISA, sentem-se ameaçados, o que resulta na fuga desses profissionais para outros países, gerando um déficit intelectual na nação.

Além disso, outro fator determinante que contribui para a persistência da fuga de cérebros e traz consequências ruins a longo prazo para o Brasil é a falta de investimento na produção científica. É possível observar essa problemática nos sucessivos cortes orçamentários dos órgãos responsáveis pela manutenção da ciência. Assim, segundo o Nexo Jornal, o Governo Federal, de 2015 a 2021, cortou 73,4% do orçamento da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão responsável por garantir bolsas de pesquisa. Portanto, esse cenário de falta de investimento impede o próprio sustento dos pesquisadores e inviabiliza a produção científica, afastando intelectuais para outros países.

Por conseguinte, com o intuito de combater a fuga de cérebros e suas maléficas consequências para o Brasil, é dever da Mídia informar a população acerca da importância da produção intelectual nacional. Isso deve ser feito por meio de campanhas de conscientização, vinculadas nos principais meios de comunicação. Ademais, cabe ao Poder Legislativo, criar um projeto de lei que obrigue maiores repasses aos órgãos de alimentação da ciência nacional, como o Capes, fomentando investimentos massivos na produção intelectual e científica brasileira.