As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 23/04/2022

Segundo o geógrafo Milton Santos, a partir da Terceira Revolução Industrial, o espaço geográfico atingiu o estágio de um meio técnico-científico-informacional. Assim, o atual sistema capitalista é dependente da informação e da ciência para gerar desenvolvimento e, consequentemente, lucro. Todavia, O Brasil ainda tem muito a aprender no que se refere ao desenvolvimento informacional, haja vista que o não incentivo à pesquisa tem levado à fuga de cérebros. É fundamental entender as causas e consequências da persistência desse processo a longo prazo.

Nesse sentido, a principal causa é o baixo investimento brasileiro em pesquisa e inovação. Enquanto os países mais desenvolvidos reconhecem a importância de valorizar esse setor, o Brasil direciona somente 1% do PIB para a área. Com isso, pesquisadores brasileiros ficam desmotivados a continuar no país, visto que recebem melhores oportunidades e ofertas no exterior. Sendo assim, mantida a conjuntura atual, inúmeros serão os problemas gerados pela fuga de cérebros.

Desse modo, é evidente que a principal consequência a longo prazo é o não progresso econômico do país. Conforme explicado por Milton Santos, o desenvolvimento técnico-científico-informacional é fulcral para o lucro no capitalismo contemporâneo. Ou seja, enquanto o dinheiro direcionado a pesquisas for entendido como “gasto” e não como “investimento”, o Brasil não dará a seus pesquisadores os recursos de que necessitam e, portanto, continuará estagnado economicamente. Nesse viés, os cientistas verão mais vantagem nas ofertas dos países desenvolvidos que, como mencionado anteriormente, reconhecem a importância do setor, diferentemente do Brasil.

Portanto, é mister solucionar o problema da fuga de cérebros, impedindo as consequências a longo prazo supracitadas. Deve o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações garantir, em consonância com o Governo Federal, o investimento nas universidades públicas, por meio da criação de mais bolsas de estudo e do maior repasse de verbas aos pesquisadores. Tais medidas devem ser tomadas para incentivar a inteligência nacional a se manter no país, sem que ela precise buscar por recursos e reconhecimento no exterior. Somente assim será possível gerar técnica, ciência e informação, trazendo desenvolvimento ao Brasil.