As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 18/04/2022
O fluxo internacional de pesquisadores é comum entre os países como forma de promover trocas científicas a partir dos estudos de cada nação, principalmente entre as maiores economias do mundo. No entanto, com a falta de investimento na ciência e perpectiva empregatícia ruim, pesquisadores brasileiros tem optado por sair do país. Tal contexto pode ser elucidado por dados de 2018 da OCDE, enquanto o Brasil detém 18% dos seus pesquisadores com empregos estáveis em empresas, Japão, EUA, China, Coréia do Sul e Israel possuem um número acima de 60%, o que gera um impacto de perspectivas melhores fora do território brasileiro.
Essa fuga de cérebros para o exterior pode gerar impactos negativos a longo prazo na sociedade brasileira. Todo o conhecimento - capital cultural e social, segundo Bordieu - adquirido pelo cientista será perdido e utilizado em outro lugar. E esses capitais se valorizam com o tempo em detrimento do capital material. Isto é, a experiência e o conhecimento levados para o exterior pelo cientista impactará positivamente aquela sociedade ao longo do tempo.
Além da falta de investimento, a saída de cérebros brasileiros, a longo prazo, pode evidenciar problemas na infraestrutura universitária do Brasil. Os micropoderes de Foulcault estão presentes nas diversas instituições e organizações. Dessa forma, o pesquisador se molda à instituição passando a realizar suas ações de acordo com a estrutura de poder na qual se encontra. No caso das universidades brasileiras mais voltadas ao academicismo, o pesquisador muitas vezes opta por essa via e não a busca pelo lado prático na sociedade. Há um distanciamento entre as universidades e o mercado de trabalho. Estrutura essa que não contribui para a estabilidade empregatícia, persistindo a fuga de cerébros, como consequência.
Portanto, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações em conjunto ao Ministério da Economia precisam aproximar o pesquisador e o mercado de trabalho, gerando postos de trabalho científicos tanto em empresas privadas quanto estatatais. Ademais, o Ministério da Educação precisa discutir as estruturas de poder presentes nas universidades, junto ao seu corpo discente e docente, de forma a permitir que seus pesquisadores não fiquem presos ao academicismo. Assim será possível permiti-los vislumbrar um futuro no seu próprio país.