As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 23/05/2022

O pós-modernista Manoel de Barros, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, no qual a principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também as consequências, a longo prazo, causadas pela persistência da fuga de cérebros no Brasil. Nesse contexto, tanto a ineficiência do Estado, quanto o silenciamento por parte da mídia sobre o assunto em questão, têm gerado tais consequências.

Diante dessa perspectiva, é importante entender a postura do Estado no que se refere a persistência da fuga de cérebros no corpo social brasileiro. Segundo o Contratualista John Locke, em seu Contrato Social, o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis dos indivíduos. No entanto, na prática isso não acontece, uma vez que a escassez de investimentos em ciência e tecnologias, bem como a falta de valorização dos profissionais qualificados do país, contribuem para o aumento do desemprego e, consequentemente, para a evasão de pesquisadores em busca de melhores oportunidades. Logo, o problema da fuga de cérebros confronta o pensamento do Contratualista John Locke sobre o Estado.

Além disso, o silêncio da mídia também contribui para o crescimento do problema. De acordo com a escritora Djamila Ribeiro, é preciso tirar uma situação da invisibilidade e atuar sobre ela para que soluções sejam promovidas. Nesse sentido, o silenciamento da mídia sobre a saída de pesquisadores do país favorece para que haja cada vez mais o aumento da carência informacional e com isso milhares de pessoas, por não serem defendidos pela grande massa, por meio de manifestações, acabam saindo do país de origem para países que investem e valorizam a ciência. Assim, é necessário tirar a invisibilidade desse assunto, como defende a pesquisadora.

Infere-se, portanto, que o Estado, como órgão responsavél por aplicar políticas públicas, deve, por intermédio de subsídios tributários estaduais, criar maiores polos de pesquisa, com o objetivo de incentivar os pesquisadores do país a continuar pesquisando. Desse modo, o problema da fuga de cérebros será valorizado como diz na obra do pós-modernista Manoel de Barros.