As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 29/05/2022
Durante o período Colonial brasileiro, os senhores de engenho enviavam seus fi-lhos para seguirem a carreira acadêmica em faculdades europeias, tendo em vista a falta de investimentos no âmbito científico no país. Nesse cenário, os intelectu-ais deparavam-se com uma única solução: a imigração. No século XXI, contudo, a situação permanece, uma vez que a fuga de cérebros é uma realidade. Assim, a persistência desse fenômeno é preocupante, por causa das consequências a lon-go prazo para o Brasil, como o congelamento do desenvolvimento econômico do país, além de perca de dinheiro público.
Nessa lógica, pontua-se que a ida de pessoas qualificadas para o exterior gera estagnação da situação financeira. Desde o início do pensamento capitalista, em todas as suas fases, o Brasil se caracterizou, na Divisão Internacional do Trabalho, como uma nação de exportação de matéria-prima. Na atualidade, a nação verde-amarela ainda encontra-se nessa classificação, pois os responsáveis pela produ-ção de itens tecnológicos estão indo compôr o contigente científico de outros paí-ses. Com isso, a balança comercial brasileira luta para manter-se positva, uma vez que a pátria permanece exportando produtos baratos e importando produtos de elevado valor - o que não aconteceria se existisse produção tecnológica nacional. Assim, a economia brasileira não se desenvolve à altura de seu potencial.
Além disso, a saída de cerébros para o exterior gera desperdício de investimen-to estatal. Durante a crise do café, no Brasil, no século XX, o governo fez mau uso do dinheiro público, ao comprar o excedente do grão no mercado, que foi quei-mado, transformando, assim, a quantia em cinzas. De maneira análoga, atual-mente, o capital público é jogado fora quando, após anos estudando às custas do Estado, o estudante decide se dirigir a outros territórios. Isso se dá pois, ao finan-ciar as faculdades públicas, o sistema governamental está investindo na produção científica para o desenvolvimento nacional - o qual não ocorre com a imigração do estudante. Dessa forma, quando esse investimento se retira do país, não há o a-proveitamento dos recursos coletivos.