As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 21/05/2022

A Biblioteca de Alexandria é um símbolo do academicismo mundial por ter sido um dos maiores centros de produção de conhecimento da Antiguidade. Criada por Ptolomeu I, a biblioteca acolheu os maiores gênios do período até que o domínio romano negligenciasse os investimentos da instituição e ocasionasse a dispersão dos pensadores pela Europa. Analogamente, repara-se o mesmo fenômeno de diáspora no Brasil contemporâneo quando a omissão governametal desvitaliza a área científica e põe o próprio desenvolvimento da nação em risco. Diante disso, faz-se pertinente o debate acerca das consequências pátrias da fuga de cérebros.

Com efeito, vale pontuar que a carência de apoio financeiro ao ensino superior é a catalizadora fundamental para a extenuação da pesquisa científica nacional. Isso posto, evidenciam-se as universidades públicas como os polos de tal atividade, situando a expansão da área sob tutela direta do Estado e do seu comprometimento com o Artigo 205 da Constituição Federal, o qual garante a proteção do meio educacional brasileiro. Em vista disso, pode-se dizer que, assim como o egresso dos estudiosos de Alexandria derivou da logística romana, a permanência da força de trabalho qualificada no Brasil é dependente única e exclusivamente da administração pública desse centros de estudos.

Cabe ressaltar, ainda, que esse contexto de descaso provoca a queima da mão de obra especializada e imprescindível para o crescimento industrial brasileiro. Tal cenário é exposto pelo próprio Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), segundo o qual, entre os anos de 2014 e 2017, houve o aumento de, aproximadamente, 50% na taxa de desemprego entre os doutores no país. Dessa maneira, a emigração passa a ser vista como caminho para melhores condições de vida pelos cientistas capacitados a promoverem o desenvolvimento e a exportação de tecnologias plenamente nacionais.

Portanto, pode-se afirmar que cabe ao MCTI estimular a criação de um complexo científico-tecnológico soberano no país. Isto posto, tal objetivo torna-se possível por meio do incentivo comunicativo aos programas de pós-graduação e do incremento verbal das bolsas científicas universitárias a fim de reter a dispersão de tal mão de obra e de usufruir das contribuições que ela tem a oferecer à pátria.