As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 20/05/2022
Na obra “A república”, o filósofo Platão idealiza uma sociedade capaz de alcançar a perfeição, desde que a educação e a razão sejam os pilares essenciais. No entanto, ao presenciar a fuga de cérebros no Brasil, compreende-se que essa concepção não é uma realidade, visto que o cidadão brasileiro mantém uma postura passiva e inerte. Nesta lógica, isso se dá, principalmente, em virtude do baixo investimento financeiro destinado ao meio científico - o que promove uma escassez de profissionais.
Nesse contexto, a falta de investimento no ambiente científico simboliza um problema estrutural e atemporal, à medida que não fornece incentivo ao estudo e profissionalização nacional, que resulta na saída em massa de indivíduos em busca de melhores condições de educação e trabalho no país. Nesse sentido, segundo a “atitude Blasé” - termo proposto pelo sociólogo alemão George Simmel -, o sujeito passa a agir com indiferença em meio às situações em que deveria dar atenção. Nesse raciocínio, entende-se que, ao analisar a permanência deste entrave, o ser humano é inclinado a adotar essa “atitude”, tornando-se passivo e inerte à problemática.
À vista disso, é fundamental destacar a escassez de profissionais como um seguimento da parcimônia do Estado, dado que é o responsável por assegurar uma educação de qualidade, conforme consta na Constituição Federal. Para tanto, de acordo com o filósofo Rousseau: “o homem é produto do meio onde vive, da sociedade e da educação”. Partindo desse pressuposto, ao presenciar a fuga de cérebros no Brasil, entende-se que o cidadão brasileiro, inserido em um cenário que negligencia a problemática e permite sua continuidade, tende a perpetuar essa conduta e, sobretudo, enxergar esse panorama como irrelevante.
Constata-se, portanto, necessário atenuar o quadro vigente. Para que isso aconteça, o Estado - principal responsável pela harmonia social -, deve destinar mais investimentos para a educação. Tal medida será cumprida e efetivada por meio de um maior incentivo financeiro aos profissionais atuantes no país, com o intuito de diminuir a fuga de cérebros. Dessa maneira, as consequências desse problema não serão mais uma realidade no Brasil.