As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 20/05/2022

O pessimismo acerca da possibilidade de haver um futuro melhor, gerando um sentimento de impotência perante uma adversidade de díficil resolução. É isso o que se vê no filme “Coringa” do diretor Todd Phillips. Contudo, esse ceticismo não se limita à obra cinematográfica, já que, na realidade, poucos tem acreditado na su-peração, por exemplo, da fuga de cérebros no Brasil, dificultando, desse modo, a busca por soluções. Por essa razão, cabe analisar as consequências a longo prazo dessa problemática no país.

Antes de tudo, nota-se que o poder público se mostra negligente ao permitir a fu-ga de cérebros. Isso porque há uma falha no processo de investimento financeiro, uma vez que faltam verbas para oferecer bolsas de estudos nas universidades pú-blicas, o que pode gerar a saída desses profissionais para países que valorizam a ciência. Sendo assim, vê-se a ruptura no contrato social teorizado pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau, no qual ele diz que é responsabilidade do Estado garantir a harmônia social de todos os cidadãos.

Além disso, aceitar as consequências da fuga de cérebro é banalizar o mal. Como prova disso, verifica-se uma parte da sociedade que tem mostrado certa inércia em não lutar pela assistência estatal, posto que falta oferecer centros de pesquisa com melhores condições de trabalho para os profissionais da área de ciências e tecnolo-gia, comprometendo, assim, o desenvolvimento científico nacional. Tomando como base as reflexões da filósofa Hannah Arendt para explicar esse fenômeno, verifica-se que, em virtude da massificação social, as pessoas estão perdendo a capacidade de discernir o certo do errado, ficando, então, inertes frente aos entraves existen-tes.

Ressalta-se, portanto, que essa fuga de cérebros deve ser superada. Logo, é ne-cessário exigir do Estado mediante debates em audiências públicas com mais re-curso financeiro, objetivando garantir a capacitação de cientistas nacionais. Ade-mais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre a importância da mobilização coletiva em prol da assistência go-vernamental, a fim de garantir o desenvolvimento da ciência e tecnologia nacional.

Desse modo, o ceticismo e a impotêcia poderiam ficar restritos ao filme Coringa.